Em mais um caso de violência e maus-tratos aos animais, um cachorro comunitário de Arapongas foi atropelado por um carro na última terça-feira (3). Imagens das câmeras de segurança de um estabelecimento mostram o momento em que o veículo parece atingir, propositalmente, o animal que estava deitado sobre a via. A vítima é o cachorro Marrom, de aproximadamente oito anos, que vive na Rua Cisne Negro, no Conjunto Petrópolis, desde filhote.

Fundadora e voluntária da Opaa (Organização de Proteção Animal de Arapongas), a vereadora Meiry Farias (PDT) resgatou e encaminhou o animal para atendimento veterinário. Por conta do atropelamento, dois ossos da pata traseira do cachorro quebraram. O estado de saúde do animal é estável e ele deve passar por uma cirurgia nesta quinta-feira (5).

A vereadora detalha que Marrom já nasceu na rua, sendo que a mãe também foi abandonada. Desde então, os moradores da rua oferecem água e comida para ele e para uma outra cachorra que também vive no local. Os dois também dividem uma casinha.

Farias explica que existem reclamações de pessoas sobre a dupla, principalmente em relação aos latidos e corridas atrás de motocicletas, mas destaca que é da natureza dos animais defenderem o seu território. “Eles latem para defender. Essa é a defesa deles. Se eles forem chutados ou ameaçados, toda vez que a pessoa passar eles vão avançar”, alerta.

Momento em que o veículo se aproxima do cão Marrom, que estava deitado perto do meio-fio
Momento em que o veículo se aproxima do cão Marrom, que estava deitado perto do meio-fio | Foto: Reprodução

Para a vereadora, o atropelamento de Marrom foi proposital. A princípio, ela pensou que o motorista pudesse não ter visualizado o animal deitado sobre a via, já que ele estava entre a lombada e a calçada. “Mas a lombada não é nova, ela está desgastada, então dava para ver perfeitamente que tinha um cachorro deitado ali e ele não precisava fazer aquilo porque a rua é muito larga”, afirma. Após a recuperação total do animal, o objetivo é encaminhá-lo à adoção.

Veículo identificado

De acordo com a investigadora da Polícia Civil de Arapongas, Bianca Mendonça Dal-Cól, o veículo já foi identificado em uma ação conjunta com a Guarda Municipal e a equipe está agora em busca do condutor responsável pelo atropelamento do cachorro Marrom.

Após o atropelamento, o motorista foge e Marrom levanta e começa a chorar
Após o atropelamento, o motorista foge e Marrom levanta e começa a chorar | Foto: Reprodução

Por dia, são ao menos três denúncias envolvendo maus-tratos aos animais. Ela destaca um caso ocorrido no dia 29 de janeiro, mas que o boletim de ocorrência foi registrado apenas nesta quarta-feira (4) pelo tutor do animal. Nesse caso, um veículo também atropelou um cachorro, que morreu ainda no local. A polícia está em busca de imagens que ajudem a identificar o suspeito.

A investigadora alerta sobre a importância de fazer a denúncia através do telefone 181, da Polícia Civil. Ela aponta que a denúncia é anônima, mas destaca que é essencial que o denunciante deixe um número de telefone, já que muitas vezes a equipe vai até o local e não encontra a situação em andamento, sendo necessário mais informações. “Mesmo que identificado, nós nunca dizemos quem foi a fonte”, afirma, complementando que fotos e vídeos das ocorrências também auxiliam no trabalho da polícia.

Marrom vai passar por cirurgia

Caroline de Souza é a veterinária responsável pelo atendimento do cachorro Marrom. Segundo ela, o animal poderia ter morrido caso o veículo tivesse atingido algum órgão vital. “É o peso de um carro em cima de um cachorro”, comenta.

Ela explica que o animal chegou carregado e sem conseguir apoiar a pata traseira direita no chão. A veterinária aponta, inclusive, que os voluntários improvisaram uma tala para imobilizar a pata. O exame apontou que a tíbia e a fíbula foram fraturadas. “Ele é um cachorro bem dócil, mesmo com a fratura ele deixou a gente mexer, muito bonzinho, mas com muita dor”, esclarece.

A veterinária também afirma que o animal estava com a temperatura um pouco mais elevada por conta do trauma e da dor, o que pode ter ocasionado uma infecção. Após ter recebido os primeiros atendimentos, ele já entrou em jejum e deve passar pelo procedimento cirúrgico nesta quinta-feira (5), ainda sem horário definido.

Souza alerta que o animal deve permanecer internado por pelo menos mais três dias para que receba as medicações. “Mas depende dele, se ele vai estar comendo, alerta e esperto porque ainda existem outros riscos além da própria fratura, como o risco de infecção”, detalha.

Denúncias

A vereadora Meiry Farias aponta que são muitos os animais em situação de rua, sendo que a população precisa denunciar quando vê algum vizinho abandonando animais. Além disso, destaca a importância da castração dos animais. Por mês, a Opaa promove a castração gratuita de 20 cachorros de protetoras do município.

Ela explica que a Opaa existe há 16 anos para atender animais em situação de risco, que recebem tratamento veterinário e depois são encaminhados para a adoção. Ao todo, mais de 300 animais vivem nos abrigos da prefeitura e da organização, mas a vereadora destaca que a principal dificuldade é a adoção, principalmente dos cachorros adultos e sem raça definida. “Se é de raça, é a coisa mais fácil doar, mas se é vira-lata é muito difícil, até mesmo para lar provisório”, lamenta.

Com todos os casos recentes envolvendo violência e maus-tratos aos animais, Meiry Farias lamenta: “A gente não deve aceitar, isso é inadmissível, é inaceitável”. A vereadora aponta que já está em contato com deputados estaduais na busca pelo endurecimento de leis relacionadas aos animais.

Abacate

A Polícia Civil de Toledo (região oeste do Paraná), por meio da assessoria de imprensa da Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) disse que não tem novidades sobre o caso do cão comunitário Abacate, que foi morto a tiro no dia 27 de janeiro. Ele morava no bairro Tocantis e era cuidado pelos moradores da redondeza. A Sesp informou apenas que as investigações continuam.

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