A polícia de Tarauacá, no interior do Acre, está procurando mais duas pessoas envolvidas nas mortes de seis seguidores de Francisco Bezerra de Morais, o ‘‘Totó’’, que se diz líder da Igreja Pentecostal Unida do Brasil no seringal Lavras, onde ocorreram os crimes. Segundo o delegado Mardilson Vitorino de Siqueira, Francisco Lima Bezerra de França e um homem conhecido apenas por Expedito participaram das sessões de pancadaria e ajudaram a queimar alguns dos corpos, um ritual determinado por Totó para ‘‘tirar o demônio das pessoas’’.
Ontem os peritos conseguiram chegar ao seringal Lavras, depois de quase um dia de viagem a cavalo e de barco. Segundo o legista Wilson Queirós, pouca coisa pôde ser feita no local, pois os cadáveres haviam sido destruídos por animais. Queirós assegura que nunca viu cena tão drástica como a do seringal. ‘‘Era um cenário macabro’’, conta o médico. As ossadas das pessoas se misturam com as dos animais que também foram mortos pelos fanáticos. ‘‘Não tivemos tempo de enterrá-los’’, afirma o legista.
Ontem o delegado de Tarauacá indiciou os seis presos. Totó, sua mulher Raimunda Bernardo de Sá, a Doca, Adalberto Taveira de Souza e Francisco Lopes da Silva serão acusados de homicídio. Taveira matou os filhos a pontapés. Os lavradores Josué Bernardo Gomes e José de Oliveira Mendes foram indiciados por co-autoria dos crimes , pois ajudava nos espancamentos dos seguidores da seita.
Procurados - Os dois procurados pela polícia também deverão ser indiciados como co-autores das mortes. Expedito deve ser preso em breve, já que estaria em casa de parentes em Tarauacá. Francisco Bezerra estaria ainda no seringal e também é acusado de ter tentado matar sua mulher e a cunhada.
‘‘Não tenho idéia do que possa ter acontecido ali’’, diz o delegado Mardilson Vitorino. ‘‘Provavelmente foi uma mistura de muita fé com ignorância’’, opina o legista Wilson Queirós.

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