São Paulo, 17 (AE) - A quadrilha de falsários da qual faz parte o técnico em informática Feliciano Dato Júnior, de 22 anos, preso segunda-feira em Itaquera, zona leste, com 726 cartões, em sua maioria clonados, pode ter aplicado golpes na região central de São Paulo. Desde a tarde de hoje a polícia já está procurando o homem que fornecia dados de correntistas a Dato Júnior. Ele seria proprietário de um escritório no centro.
O delegado Francisco Misassi, do 3.º Distrito Policial, em Santa Ifigênia, que instaurou mais de cem inquéritos sobre clonagem de cartões magnéticos suspeita que a quadrilha de Dato Júnior esteja por trás desses casos. Ele disse não ter evoluído na investigação para identificar os responsáveis pelos golpes, enviando inquéritos à Justiça sem estabelecer a autoria das fraudes.
O delegado acredita que, graças à apreensão, com o técnico em informática, de cartões clonados e da lista com o número das contas e a identificação das agências bancárias, terá condições de saber se a quadrilha é a mesma. As pessoas que procuraram o 3.º DP solicitando a abertura de inquérito contra os bancos conseguiram, em sua maioria, receber o dinheiro.
O delegado Italo Zaccaro Neto, da Seccional de Itaquera, trabalhou no 3.º DP no início das apurações sobre o golpe. Lotado há duas semanas em Itaquera, ele disse hoje ter feito a leitura da maioria dos cartões apreendidos em poder de Dato Júnior. "Consegui na tarja magnética saber o número do banco, a conta e a agência". Clientes - Para dar andamento à investigação, será preciso agora ouvir os clientes dos bancos. "Vai depender das informações do Itaú, Banco do Brasil e de outros bancos e esperamos que isso ocorra o mais rápido possível", disse Zaccaro Neto.
O técnico em informática revelou à polícia que recebia as informações de um rapaz e devolvia os cartões clonados até, no máximo, o dia seguinte. Em encontros mantidos no centro, o homem já identificado pela polícia - cujo nome Dato Júnior alegou desconhecer - entregava a listagem com nome do correntista e números da agência, conta e banco para ser gravados. O falsário alegou que a senha não era revelada.
Zaccaro Neto disse que alguns dos cartões tinham uma pequena fita colada com seis números. "Pode ser que seja a senha", afirmou. "Poderemos ter a certeza quando soubermos a quem pertence a conta". Desde terça-feira, a Delegacia Seccional de Itaquera vem recebendo telefonemas da capital, do interior de São Paulo e outros Estados com pedidos de informações sobre os cartões. "São pessoas lesadas, que ainda não se acertaram com os bancos".

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