São Paulo, 06 (AE) - O traficante Valério Cotta de Oliveira, de 23 anos, o Carioca, um dos chefes do tráfico na Favela Heliópolis, é apontado pela polícia como responsável pela execução de 18 pessoas, seis delas da família de outro traficante, Wilson Andrade de Souza, de 31 anos, o Barriga. As mortes ocorreram pela disputa dos pontos-de-venda de crack, cocaína e maconha nas Favelas Paraguai, Vila Prudente e Circo Escola.
Além de Carioca são apontados como autores dos assassinatos, praticados com tiros de metralhadora, fuzis e pistolas automáticas, os traficantes de sua quadrilha apelidados de Pezão de Heliópolis, Ravel, Pipoca, Tonhão e Gilmar. A polícia está procurando pelos assassinos e esquematizando uma grande blitz, a exemplo da realizada há dois anos, na Favela Heliópolis onde os suspeitos estariam. Policiais da Seccional Leste informaram que também estão trabalhando para colocar Carioca e seu grupo na cadeia.
As 18 mortes ocorreram entre o fim da noite de quinta-feira e o começo da noite de domingo. A maioria dos mortos não tinha envolvimento com o uso ou o tráfico de drogas. Os delegados e investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) informaram que os traficantes mataram os parentes de Barriga e também as pessoas que estavam próximas a elas para eliminar testemunhas. Na sexta-feira, Carioca e seu grupo já tinham assassinado o pai de Barriga, José João de Souza
de 53 anos, e outras sete pessoas que moravam perto do ponto-de-venda de drogas. No sábado e no domingo, mataram Margarete Andrade de Souza, de 49 anos, mãe de Barriga, as irmãs dele, Lindinalva Souza e Francisca de Souza Andrade Veloso; os filhos de Francisca, Francisneide Clemente Veloso, de 18 anos, e Francelino Clemente Veloso, de 17.
Outra filha de Francisca, M.A.C.V., de 12 anos, foi baleada e está internada no Hospital do Ipiranga. A suspeita é que todas foram sequestradas pelo grupo de Carioca na saída do enterro de do pai de Barriga. A maioria estava com as mãos e pés amarrados com a mesma corda de náilon. Algumas estavam amordaçadas. Os corpos foram deixados em bairros diferentes.
Assassino - Os policiais DHPP há tempos vêm tentando prender Carioca. Indiciado em três inquéritos por assassinato, o traficante nascido em Duque de Caxias, no Rio, frequenta a Favela Heliópolis há mais de cinco anos. "Ele é matador frio que não pensa duas vezes em eliminar homens, mulheres e crianças", informou o delegado Sebastião Celso dos Santos, do 56.º Distrito, de Vila Alpina, e um dos responsáveis pela investigação das chacinas.

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