Polícia prende turista com balas
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segunda-feira, 15 de dezembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Policiais civis apreenderam no início da noite de anteontem, em Foz do Iguaçu, 328 balas de revólver que estavam sendo contrabandeadas do Paraguai. O desempregado catarinense Juliano Schuster, de 19 anos, que estava com a munição, foi preso em flagrante e está detido na Delegacia da Polícia Federal em Foz.
Segundo o investigador Carlos Piasecki, superintendente do 5º Distrito Policial (DP), onde o caso foi registrado, Schuster foi abordado pelos policiais na Rua Gralha, no Bairro Portal da Foz (região leste da cidade), às 18 horas de anteontem. Ele havia acabado de sair de um bar, onde bebera cerveja em companhia de um grupo de pessoas.
Piasecki afirmou que o rapaz levava a munição - 300 balas de revólver calibre 22 e 28 de revólver calibre 38 - nos bolsos e acondicionadas na cintura. Os projéteis estavam colados ao corpo com fita adesiva. A munição foi avaliada em R$ 100,00.
Em depoimento à Civil, o rapaz disse que mora em Jupiá (município na região oeste de Santa Catarina) e que costuma viajar à fronteira entre Brasil e Paraguai para fazer compras. Apesar disso, Schuster não tinha consigo nenhuma sacola de compras.
PrisãoO rapaz disse também que era a primeira vez que estava levando munição e que as balas foram encomendadas por um homem que ele identificou como Valmir Felionati, que seria vereador em Jupiá. Schuster afirmou ainda que, na próxima semana, começaria a trabalhar em um frigorífico de Chapecó, cidade a 120 quilômetros de Jupiá. A Folha não conseguiu localizar ontem o advogado de Schuster.
Depois de prestar depoimento à Polícia Civil, o rapaz foi transferido para a carceragem da Polícia Federal. Ele foi enquadrado no artigo 334 do Código Penal (contrabando ou descaminho), cuja pena vai de um a oito anos de prisão. A apuração do crime de contrabando é de responsabilidade da Justiça Federal, que deverá abrir inquérito contra Schuster nesta semana.
A prisão do rapaz, embora de posse de pequeno valor, confirma a suspeita da PF de que a fronteira entre Brasil e Paraguai é uma das principais rotas de entrada no País de armas e munição contrabandeadas. Em Ciudad del Este (cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu), a venda dessa mercadoria é livre.


