Polícia prende três suspeitos de integrar quadrilha de estelionatários
Com "golpe do cartão", suspeitos teriam sacado mais de R$ 50 mil de ao menos cinco vítimas em Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de fevereiro de 2023
Com "golpe do cartão", suspeitos teriam sacado mais de R$ 50 mil de ao menos cinco vítimas em Londrina
Jéssica Sabbadini - Especial para a Folha 
A Polícia Civil prendeu, nesta sexta-feira (3), três suspeitos de integrar uma quadrilha de estelionatários em Londrina. Com o “golpe do cartão”, os suspeitos teriam sacado mais de R$ 50 mil de, ao menos, cinco vítimas. Eles já tinham sido ouvidos ao longo da investigação, que durou cerca de um ano, e agora foram presos preventivamente. A maioria das vítimas eram idosos.
O delegado da Delegacia de Estelionatos de Londrina, Edgard Soriani, contou que a investigação começou após um grupo de pessoas procurar a delegacia alegando terem recebido uma ligação de banco e que gastos haviam sido feitos no cartão.
“Eles pediam para as pessoas desligarem e ligarem no número que tem no verso do cartão, mas eles bloqueavam a linha e a pessoa achava que estava falando com o banco, só que, na verdade, ela ainda estava falando com o golpista”, explica. Com isso, os criminosos tinham acesso aos dados pessoais e do cartão, como a senha bancária.
“Eles tinham todo um aparato que deveria segurar a linha telefônica, fazendo com que a ligação retornasse para eles. Além disso, outro equipamento pode ter sido utilizado para identificar a senha que a vítima digitava no teclado numérico do telefone”, contou.
“Eu acredito que [a central] não é daqui de Londrina. Aqui fica a pessoa que pega o cartão, que transfere e saca o dinheiro. Então um ‘cabeça’ deve repassar parte do valor para quem controla tudo de outra cidade”, frisou.
O delegado ressaltou que os criminosos contavam às vítimas que uma pessoa do banco iria até a casa buscar o cartão. “As vítimas faziam a entrega do cartão dentro de um envelope para motoristas de aplicativo, que não faziam parte da quadrilha, que, por fim, caíam nas mãos dos criminosos”, conta.
Soriani explica que através das empresas de transporte por aplicativo foi possível identificar em quais locais aqueles envelopes estavam sendo entregues e quem estava recebendo. Além disso, com as imagens das agências bancárias, a polícia conseguiu ter informações de quem estava fazendo os saques. “Com isso, conseguimos identificar quatro desses indivíduos, sendo três homens e uma mulher.”
Os integrantes já tinham sido ouvidos sobre os fatos, sendo que a maioria negou ou permaneceu em silêncio. “Então nós tivemos o pedido de prisão preventiva liberado, que foi cumprido na residência de três deles”, esclareceu. Um suspeito está foragido.
Sobre o tempo de investigação, o delegado ressalta que os criminosos faziam pagamentos em bancos digitais, o que dificultou a identificação de outros envolvidos no crime. “Mas nós conseguimos separar o núcleo, que envolve os líderes, as pessoas que obtiveram vantagem e que cederam a conta, provando que era uma associação criminosa formada para dar esse tipo de golpe”, afirma. Em Londrina, a quadrilha aplicou cinco golpes e o valor retirado das vítimas passa de R$ 50 mil que, em sua maioria, eram de pessoas idosas.
O delegado afirma que, em nenhuma circunstância, o banco vai enviar alguém para buscar o cartão na residência. “No caso de qualquer suspeita de crime, desligue o telefone e procure a agência pessoalmente para resolver o problema. Não passe dados ou informações por telefone”, orientou.
Ele ressaltou que os telefones fixos são uma porta aberta para que os idosos sofram algum golpe, como o do falso sequestro ou do carro do primo que quebrou. “Quem tem algum parente idoso deve alertar ele sobre esse tipo de golpe”, finalizou.
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