Polícia prende suspeitos de vender eletrônicos em loja virtual e não entregar


TAYGUARA RIBEIRO
TAYGUARA RIBEIRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Oito pessoas foram presas pela Polícia Civil como parte da ação que investiga a loja virtual 123 Importados, suspeita de aplicar golpes em clientes ao anunciar eletrônicos e eletrodomésticos a preços muito baixos e não entregar os produtos após o pagamento.

Policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) cumpriram mandados de prisões, buscas e apreensões, na manhã desta terça-feira (30), nos municípios de Jaú, Mauá e na capital paulista.



Foram apreendidos diversos veículos, entre eles um SUV Jaguar, avaliada em R$ 500 mil, entre outros bens dos suspeitos. A operação foi realizada por policiais da 6ª Delegacia Patrimônio (investigações sobre Facções Criminosas).

A 123 Importados fazia anúncios dos produtos em emissoras de TV, o que conferia credibilidade para a loja, segundo os consumidores. Os comerciais já foram retirados do ar.

Segundo a polícia, as apurações começaram em novembro do ano passado quando integrantes da quadrilha foram presos por lavagem de dinheiro ao fazer empréstimos e outras operações em bancos usando empresas fantasmas. Na época, foram presas cinco pessoas e apreendidos 50 veículos adquiridos com valores obtidos com a fraude.

Após as prisões, de acordo com a polícia, a quadrilha mudou a forma de atuação e passou a oferecer eletroeletrônicos, principalmente televisões, computadores e geladeiras, por valores até 50% abaixo do mercado. As ofertas eram anunciadas em horário nobre em emissoras de TV, com um prazo de entrega que girava em torno de 30 a 45 dias úteis o que, de acordo com a polícia, era tempo suficiente para os envolvidos desaparecerem com o dinheiro sem entregar os produtos.

Ainda segundo a polícia, os clientes só podiam fazer o pagamento por meio de boleto bancário, o que dificultava a solicitação de devolução. Os suspeitos irão responder por estelionato e associação criminosa.

A polícia não informou uma estimativa do número de vítimas da quadrilha. Somente no site Reclame Aqui, foram contabilizadas 2.719 reclamações em apenas três meses. No Procon, existem ao menos 200 questionamentos contra a postura da empresa neste ano.

Antes da operação da polícia, o órgão havia notificado a loja. Segundo a coordenadora do Procon-SP, Renata Reis, a entidade queria saber o motivo de a empresa cobrar valor abaixo do mercado e não permitir o pagamento com cartão de crédito. "Eles não responderam", disse.

Clientes da loja ouvidos pela reportagem relatam o que a polícia afirmou: não receberam os produtos nem a devolução do que foi pago. Eles dizem também que, após a compra, não conseguiram resposta da com a empresa.

A reportagem tentou falar com a loja virtual, por e-mail e por telefone, mas não teve resposta.

Um dos clientes lesados é o aposentado Joaquim Brandini Neto, 61 anos. Ele afirma que, em março, comprou uma TV Samsung 43 polegadas por R$ 799. Nas lojas de eletrônicos, o preço da televisão é de cerca de R$ 1.500.

A compra foi feita pelo site da 123 Importados. Ele diz que, depois do pagamento, não recebeu a TV. "Tentei falar três vezes por telefone [com a empresa] e a resposta padrão foi acompanhar pelo site e aguardar", conta.

Um outro cliente, que mora na capital paulista e preferiu não se identificar, diz que comprou uma geladeira Eletrolux por R$ 1.000 em fevereiro. O eletrodoméstico, que costuma ser vendido por cerca de R$ 2.800 em outras lojas, também não foi entregue.

"Fui atendido duas vezes no telemarketing da loja, e disseram para eu aguardar. Depois disso não fui mais atendido, nem por e-mail nem por telefone. Fui meio inocente, mas o que deu credibilidade foi ver o produto anunciado na TV", conta.

Procurada pela reportagem para comentar sobre os comerciais da 123 Importados, a TV Bandeirantes afirmou, em nota que "assim como os demais veículos de comunicação do Brasil, comercializa os espaços publicitários em sua grade de programação a anunciantes interessados em divulgar produtos e serviços".

Ainda de acordo com o texto, "nesse sentido, esclarecemos que as obrigações da TV Bandeirantes se limitam a divulgação dos anúncios publicitários dos seus clientes nos termos e condições contratados com os anunciantes, não existindo responsabilidade [solidária e/ou subsidiária] com os produtos/serviços por ela divulgados".

A emissora afirma que "a partir do momento em que a TV Bandeirantes tomou conhecimento de problemas na operação da referida empresa, imediatamente suspendeu as veiculações, até que a companhia comprove a regularidade de sua atuação".

A RedeTV!, outra emissora que também veiculou comerciais da 123 Importados, afirma que segue rigorosamente as normas vigentes e as boas práticas no exercício de suas atividades.

OUTROS ESTADOS

O auxiliar de escritório Estefano do Nascimento Sá, 32 anos, morador de Campo Grande (RJ), também comprou uma TV pela metade do valor que costuma ser vendida. Também não recebeu o produto.

"Só recebi deles a confirmação de pagamento e mais nada. Ela [empresa] me ligou um dia antes do boleto vencer, lembrando do pagamento", diz. "Depois tentei contato diversas vezes, sem sucesso", afirma o consumidor, que diz ter efetuado o pagamento em 16 de abril.

Rômullo Alves Cedraz, 36, de Conceição do Coité (BA), é outro cliente da loja que não recebeu o produto que comprou. "Efetuei a compra de uma Smart TV de 50 polegadas, no dia 7 de abril deste ano. Não me entregaram.", desabafa.

Já o estudante Carlos Anderson Lima Araújo, 22 anos, afirma que comprou uma TV Samsung, de 43 polegadas, por R$ 800, quando o valor de mercado dela costuma ser acima de R$ 1.500.

"Vi a propaganda da 123 Importados na TV. Desconfiei que os produtos eram muito baratos, mas como estava passando em várias emissoras, pensei que seria confiável", afirma. "Tentei entrar em contato, mas a empresa não responde meus emails", conta o morador de Russas, no Ceará.

A reportagem tentou entrar em contato com a empresa por e-mail nos dias 5, 9, 12, 24 e 25 de junho, mas não obteve nenhuma resposta.

No último dia 5 de junho, a reportagem conseguiu contato por telefone com a empresa. Uma atendente de telemarketing disse que o assunto só poderia ser tratado por e-mail.

Nos dias 8, 9, 10, 11 e 12, a reportagem tentou novamente contato por telefone nos números informados no site da empresa e nos números fornecidos por clientes. Nenhuma das ligações foi atendida.



No canal do YouTube da empresa, a loja publicou alguns vídeos de clientes, que teriam recebido o produto, elogiando a loja.

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