Polícia prende suspeito de matar sem-terra
Giovani Ferreira
A Polícia Civil apresentou ontem o segurança Jair Firmino Borracha, 45 anos, acusado de ter assassinado Eduardo Aghinoni, 30 anos, irmão do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Celso Aghinoni. O crime aconteceu no dia 29 de março, por volta das 20h30, quando Eduardo Aghinoni assistia televisão com a família no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte.
Jair Firmino Borracha já havia sido preso em 19 de abril, juntamente com Ivo Lopez e Osnir Sanches, que também foram acusados de ter participado da execução de Aghinoni. Por falta de provas concretas, os três foram libertados 13 dias depois. Borracha só voltou a ser preso porque o exame de balística comprovou que o projétil encontrado no local do crime partiu do revólver Rossi, calibre 38, encontrado em seu poder por ocasião da sua primeira prisão.
Borracha foi preso quinta-feira, em Santo Antônio do Caiuá, próximo a Paranavaí. Ele nega o crime e também descarta a hipótese de ter emprestado a arma para outra pessoa. O delegado João Ricardo Kepes Noronha, chefe da Divisão de Segurança e Informação, disse que existem elementos de convicção de que Borracha fazia parte do trio que assassinou Eduardo Aghinoni.
O delegado disse que uma testemunha reconheceu o acusado como sendo um dos participantes do crime. Kepes Noronha também informou que possui informações de que Borracha trabalhava como segurança em fazendas da região Noroeste. Borracha ainda é acusado pela morte de Sebastião Camargo Filho, integrante do MST, assassinado em outubro do ano passado em um acampamento na Fazenda Marilena, próximo ao município de Nova Londrina.
Para manter a integridade física do acusado, apesar de a prisão ter sido decretada pela Justiça de Loanda, Firmino Borracha vai ficar preso em Curitiba. A transferência para a capital representa uma medida de precaução, uma vez que a Polícia Civil teme uma reação dos integrantes do MST, que ficaram muito revoltados com a morte de Aghinoni.
Quando ocorreu o crime - Aghinoni levou três tiros à queima-roupa -, as lideranças estaduais do MST declararam que o alvo dos matadores era Celso Aghinoni, um dos principais líderes do movimento na região Noroeste. Celso teria escapado por um erro dos autores dos disparos.
Durante a apresentação de Borracha, o delegado Noronha disse que a Polícia Civil está trabalhando no sentido de punir tanto integrantes dos sem-terra como os fazendeiros que desrespeitarem a lei. De acordo com o delegado, nenhuma denúncia, apresentada por qualquer uma das partes, deixará de ser investigada.





