Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
Agentes da Divisão Antiterrorista de Assunção e da Força de Operação Especial da Polícia Nacional do Paraguai prenderam neste final de semana o libanês Ali Khalil Merhi, 30 anos, acusado de ser o maior falsificador de CDs de Ciudad del Este e de financiar terroristas árabes do Oriente Médio.
A prisão aconteceu na sexta-feira, quando os policiais invadiram o edifício Panorama II, onde ele mora. A polícia encontrou o suspeito com a esposa e manteve os dois em cárcere privado até a chegada da juíza Lurdes Cardoso e dos advogados. Merhi acusou os agentes de agressão e ação violenta. A polícia alegou que a operação foi necessária porque 15 dias atrás o libanês teria tentado atirar nos investigadores que foram a uma de suas lojas, que ficam nos shoppings Pajé e Primavera, região central de Ciudad del Este.
Foram encontrados nos estabelecimentos, CDs piratas de vários músicos internacionais, principalmente dos EUA e Brasil, além de CD-ROMs contendo cópias de jogos.
Informações da Divisão Antiterrorista confirmaram que Merhi fez várias viagens ao Oriente Médio e Ásia nos últimos meses, o que reforçaria a suspeita de envolvimento com grupos terroristas como o Hezbollah, que age no sul do Líbano. Até ontem, ainda não havia uma prova concreta de que Ali Merhi estaria financiando facções extremistas. Os agentes investigam agora o volume do dinheiro envolvido em produtos falsos, que pode chegar a US$ 120 milhões. Suspeita-se que metade dos CDs pirateados que circulam na fronteira são falsificados e comercializados sob o comando de Merhi.
Levantamentos da Associação Brasileira dos Produtos de Discos (ABPD) demostram que cerca de 30 milhões de CDs falsos circulam anualmente no Brasil, dando um prejuízo de quase US$ 500 milhões à indústria fonográfica brasileira. Metade dos discos (15 milhões) são pirateados no Paraguai.

mockup