Polícia prende suspeito da morte de professor em Cerquilho
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quarta-feira, 02 de junho de 1999
Por José Maria Tomazela 
Cerquilho, SP, 03 (AE) - A polícia de Cerquilho, a 150 quilômetros de São Paulo, prendeu o estudante Rafael Ferreira de Moura, de 20 anos, suspeito de ter assassinado o professor de geografia Antônio Carlos de Castro, de 53 anos. O professor, que era muito conhecido na cidade, foi encontrado morto, em sua residência, no último dia 25, com um tiro na cabeça, os pulsos cortados e várias fraturas na altura da nuca. Antes de ser executada, a vítima foi torturada com faca ou estilete. O estudante foi preso ontem (2) à noite, depois que os policiais encontraram um arsenal de armas brancas em sua casa.
Ele tinha uma coleção de facas e facões, várias estrelas do tipo ninja, dois esfoladores, objetos de madeira com pregos nas extremidades e um aparelho usado por gangues, conhecido como "thaco", além de balas de revólver e pistolas de brinquedo.
Os policiais encontraram também pinturas da suástica nazista e revistas pornográficas, com frases escritas à mão na capa, como "morte aos negros" e "morte às lésbicas". No interior dessas revistas, foram encontrados recortes de jornais com notícias sobre dois homicídios de autoria desconhecida, ocorridos no município. Junto com os recortes, estava uma foto do prefeito da cidade, Alcides de Nadai (PSD), tirada na última campanha eleitoral. As notícias informavam sobre as mortes do auxiliar de produção Jefferson Fabrício Barbosa, ocorrida no mês passado, e de José Alberto da Silva, no ano passado. Ambos foram encontrados mortos com tiros na cabeça. O auxiliar de produção tinha mantido um relacionamento amoroso com a atual namorada de Rafael.
Segundo o delegado João Batista Martelini Neto, as suspeitas recaíram sobre Rafael Moura porque ele foi visto próximo da casa do professor no dia do crime. O delegado apurou que ele fora aluno do professor Castro há alguns anos e tivera um desentendimento com ele. Com base nas evidências, ele pediu a prisão temporária do estudante, decretada pelo juiz José Panserini. Moura nega as acusações. Ele mora com a mãe no Jardim Esplanada, próximo do centro da cidade, e está desempregado.


