Polícia prende suspeita de narcotráfico no Paraná
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 07 (AE) - A polícia prendeu ontem (06) à noite em Maringá, a 450 quilômetros de Curitiba, no norte do Paraná, Shirley Aparecida Pontes, de 33 anos, acusada de participar do esquema do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, no Estado. Ela é fugitiva de Cacoal (RO), onde foi presa por tráfico de drogas, e do 9º. Distrito Policial de Curitiba, onde esteve acusada de assalto a banco, quando um policial foi morto. De acordo com a polícia, ela foi retirada à força da cadeia em Curitiba por pessoas ligadas a Beira-Mar.
O delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Mário Ramos, disse hoje que o nome de Shirley consta de um dossiê sobre Beira-Mar enviado pela polícia do Rio de Janeiro. "Havia interesse em sua recaptura para investigações no Rio de Janeiro", disse Ramos. "Ela também é uma das pessoas que interessam à CPI do Narcotráfico justamente pela ligação que tem com a base do Fernandinho Beira-Mar no Paraná." O delegado disse que não citaria outros nomes, pois as investigações continuam.
Shirley foi presa depois de 15 dias de investigações em Maringá. Do lado de fora da casa que tinha alugado foram detidos Anderson Carlos Wencelewski, de 19 anos, e Ronaldo Neuci Klich, de 34 anos. Eles estavam com dois pequenos papelotes de cocaína. Os dois permanecem presos em Maringá. Dentro da casa, os policiais encontraram Shirley e, em seu quarto, um pacote com cerca de um quilo da droga.
Ao ser apresentada hoje à imprensa, em Curitiba, ela negou qualquer participação no esquema de narcotráfico. "Nem sei o que é isso", afirmou. Shirley também disse desconhecer Fernandinho Beira-Mar. Segundo ela, é uma "coincidência" o fato de ter sido flagrada duas vezes com droga. Na primeira, em 1991, em Rondônia, ela alegou que os 13 quilos de cocaína que estavam em sua casa pertenciam a seu ex-marido, que seria viciado.
Desta vez, ela alegou que era de um rapaz, amigo de seu irmão Daniel, que está preso em Curitiba por assalto a banco. Segundo ela, o rapaz teria fugido pelos fundos da casa, logo que a polícia entrou, deixando a droga. Shirley também negou que a operação feita por quatro homens fortemente armados, em junho, tivesse a finalidade de libertá-la do 9ºDistrito Policial em Curitiba. "Eu estava jogando baralho, vi todo mundo entrando e a porta aberta, aí saí correndo pelos fundos", afirmou.
Segundo o delegado Mário Ramos, o objetivo de Shirley, depois de ter fugido da cadeia, era arrumar dinheiro para pagar uma quadrilha que pudesse resgatar um ex-companheiro dela que está preso em Cacoal. Ramos não quis revelar o nome do preso, mas disse que ele deve ser mais importante que ela no esquema de narcotráfico organizado por Fernandinho Beira-Mar. Shirley ficará na Penitenciária Feminina e à disposição dos membros da CPI do Narcotráfico e da Comissão Especial de Investigação da Assembléia Legislativa do Paraná.


