Alexandre Sanches
Enviado a Cornélio Procópio
A Polícia Civil de Cornélio Procópio prendeu sexta-feira passada três homens acusados de aplicar os golpes do ‘‘chute’’ e do ‘‘3 por 1’’ em várias pessoas no Estado. Valdir Miranda Tavares, conhecido como Gordurinha, e Luiz Atalaia da Costa, proprietários de minimercados em Maringá, juntamente com Dorival da Silva, dono de um estacionamento em Londrina, estão com a prisão preventiva decretada e confessaram a participação em vários golpes. Eles só foram apresentados ontem à imprensa com autorização da Secretaria de Estado da Segurança Pública após ‘‘vazar’’ a notícia da prisão deles.
O delegado operacional Adriano Ademir da Cruz Ribeiro, que comanda as investigações, disse que há um mês vinha trabalhando na denúncia de uma vítima de Indaiatuba (SP), que sofreu o golpe do chute em Cornélio Procópio. ‘‘Na realidade a quadrilha roubou R$ 5 mil, armados de revólver e a vítima registrou queixa. A partir destas informações começamos a investigar’’, explicou.
O morador de Indaiatuba ia comprar por R$ 11 mil uma van importada avaliada em aproximadamente R$ 70 mil. Ele só não perdeu todo o dinheiro porque havia escondido R$ 6 mil dentro da calça. O delegado prefere não identificar as vítimas, alegando que elas estão envergonhadas de terem caído nos golpes. ‘‘Algumas chegam a chorar no interrogatório’’.
Outra vítima, um morador de Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio), foi lesado em US$ 80 mil no golpe do 3 por 1, aplicado pela mesma quadrilha, desta vez em Apucarana. ‘‘Através das investigações estamos chegando às vítimas, que estão distribuídas por todo o Paraná e Estado de São Paulo. As vítimas eram levadas para cidades distantes pelo menos 100 quilômetros da origem’’, ressaltou o delegado Ribeiro.
Para o golpe a quadrilha utilizava telefones celulares habilitados em outros Estados e com nomes falsos. Valdir e Luiz confessaram a participação em pelo menos 12 golpes, enquanto Dorival confessou somente dois. Porém, já foram identificados por duas vítimas. O produto mais oferecido no golpe do chute era o cigarro apreendido pela Receita federal, que alegavam conseguir com um fiscal aposentado, a preço bem abaixo do praticado no mercado.
Por este motivo, o delegado já solicitou a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos para verificar as ligações realizadas nos últimos meses e o envolvimento entre eles. ‘‘Também estudamos a possibilidade de solicitar a quebra do sigilo bancário’’, afirmou. O golpe do chute rendia de R$ 5 mil a R$ 11 mil.
De acordo com o delegado, também estão sendo investigados Dirceu Vereda (que foi preso pela Polícia Federal por apliar o golpe 3 por 1 em Londrina), Eliseu Fernandes de Campos, que está foragido e com a prisão preventiva decretada, e Antônio Silva, irmão de Dorival, que também está foragido e com a prisão temporária decretada. ‘‘Sobre o Antônio temos fortes indícios da participação dele nos golpes’’, comentou Ribeiro.
Os três acusados foram apresentados para a Folha ontem, no início da noite. Eles se reservaram o direito de não serem fotografados e disseram que só vão se pronunciar em juízo.

COMO AGEM AS QUADRILHAS
GOLPE DO CHUTE
- Consiste em oferecer a venda de mercadoria como carros ou cigarros apreendidos pela Receita Federal, a preços bem abaixo do mercado. Após conquistar a confiança da vítima, a quadrilha a leva para uma cidade distante e, na rua, retira o dinheiro e foge. A ação é rápida, em local de grande movimento, e a vítima demora para reconhecer o golpe.
GOLPE DO 3 POR 1
- A vítima é convidada a trocar notas de dólares na proporção de uma por três notas de reais. Os golpistas afirmam que o dinheiro é fruto de caixa dois ou lavagem de dinheiro de campanha política. Geralmente a vítima é levada para cidades distantes, onde é lesada. Como ela também estaria cometendo uma contravenção, geralmente não registra queixa.

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