Polícia prende mulher que roubou bebê
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segunda-feira, 14 de março de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A polícia conseguiu localizar e prender a mulher que raptou o bebê do Hospital Evangélico em Curitiba, no último domingo. Segundo informações preliminares, a prisão aconteceu por volta das 18 horas de ontem, em uma casa no bairro Sítio Cercado, região Sul de Curitiba. Os detalhes só serão divulgados hoje pela manhã em uma apresentação que acontecerá na sede do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). A recém-nascida Gabriele seria entregue ontem à noite à mãe Josiane de Fátima Baggio, que continuava internada no hospital.
Ontem à tarde, o advogado José Martins de Sá Neto informou que os pais da criança vão processar o hospital por responsabilidade civil e pedir indenização por danos morais. ''É um absurdo o hospital não conhecer seu quadro clínico. Essa é uma situação que deve ser coibida'', criticou Sá Neto, acusando o hospital de negligência. Ele esteve, ontem, no Evangélico para colher a assinatura dos pais.
Em entrevista coletiva ontem, o diretor-geral do Hospital Evangélico, Charles London, não assumiu a responsabilidade da instituição pelo desaparecimento da criança. Disse que uma comissão de sindicância está analisando se houve falhas na segurança e revendo processos para liberação de entrada e saída de pessoas. Uma das hipóteses, admitiu ele, teria sido a facilitação por parte de funcionários.
O diretor não descartou a possibilidade da mulher pertencer ou já ter passado pelo quadro clínico do hospital. Há indícios de que ela conheceria os procedimentos internos, além de estar usando uniforme de enfermeira. ''Existem indicativos de que essa pessoa conhecia a rotina do hospital'', afirmou London.
Segundo London, circulam pelo Hospital Evangélico entre 5 mil e 7 mil pessoas por dia, entre pacientes, acompanhantes e funcionários. Como o hospital é referência no atendimento à gestação de risco, realiza cerca de 360 partos por mês pelo Sistema Único de Saúde. A Sociedade Evangélica, informou, tem 3 mil funcionários e a segurança é feita por pessoal próprio.
O diretor não soube precisar o número de funcionários que estava na ala de onde o bebê foi levado. Normalmente fica um médico de plantão e quatro ou cinco auxiliares de enfermagem, informou. Nenhum deles teria visto a mulher na enfermaria da maternidade, que fica no sétimo andar do prédio.
London informou que à noite o acesso ao hospital é feito por duas portarias: uma que recebe pacientes e visitantes e outra, prestadores de serviços. Foi por esta última que a sequestradora conseguiu entrar. As entradas eram vistoriadas por um segurança em cada uma.
O diretor não quis se manifestar sobre a resistência dos pais em deixar o hospital. O pai Santos Carlos afirmou que só sairia do hospital com a filha nos braços. Ele se assegurou de receber do hospital a ''declaração de nascido vivo'', documento necessário para fazer a certidão de nascimento.
A mãe, Josiane de Fátima, que passou por uma gravidez de risco e se submeteu
a cesariana, não tem previsão de alta. Segundo London, ela passou por exames complementares e seu quadro clínico é estável. ''Conversamos com os pais e vamos avaliar o melhor momento de eles irem para casa, tomara Deus na companhia de sua filha'', declarou.


