São Paulo, 22 (AE) - A polícia prendeu hoje o ex-administrador regional da Sé João Bento dos Santos Filho. Ele foi detido pela manhã próximo à Divisão de Capturas, do Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri). À tarde, ele seria transferido para a Divisão de Registros Diversos (Dird), onde seria ouvido pelo delegado Romeu Tuma Júnior, que preside o inquérito que investiga o esquema de propinas na Administração regional da Sé.
A prisão temporária do ex-regional havia sido decretada na quinta-feira (18). Na sexta, o Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia contra João Bento por concussão, prevaricação e formação de quadrilha. Durante o fim de semana, a polícia o procurou em sua residência, no Brooklin, zona sul, e na sua pousada, em Ubatuba, Litoral Norte.
Na denúncia oferecida pelo MPE, Bento estaria envolvido ao esquema de cobrança de propinas na região central da cidade. A denúncia liga João Bento ao ex-Secretário das Administrações Regionais (SAR), Alfredo Mário Savelli. Em 1997, Savelli determinou o cadastramento de ambulantes que atuam no centro da cidade com o objetivo de deslocar os ambulantes para os "bolsões". Devido ao fato de ser o regional da Sé na época, Bento, segundo o MPE, participava da operação administrativa.
Além de Bento e Savelli, outras 10 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público e devem respoder a processo. Na denúncia
os promotores salientaram que as investigações são baseadas na época em que João Bento era o titular da regional da Sé e seu padrinho político era o ex-vereador e deputado Hanna Garib.
Dois depoimentos que também comprometeram o ex-adminsitrador regional foi o de dois ex-funcionários da regional, Ònio Scomparini dos Santos e do Adão Luiz Castanheiro Martins. Segundo Scomparini, que ocupou o cargo de Supervisor de Serviços Públicos da Regional, havia na órgão um esquema com a Vega Ambiental, uma das empresas responsáveis pelo serviço de limpeza pública na cidade. Uma das pessoas que fariam parte do esquema era o procurador da Vega, Carlos Ferreira Porto, conhecido como Carlos da Vega, que também foi preso pela polícia.
O esquema, segundo apurou a polícia, envolveria o pagamento de propinas da Veja para João Bento e o deputado Garib. O dinheiro era encaminhado mensalmente em envelopes para o gabinete de João Bento. Castanheiro, que serviria como o intermediário da operação, receberia R$ 1 mil pelo serviço.
Castanheiro, que também ocupou a Supervisão de Serviços Públicos, confirmou a história contada por Scomparini. Segundo ele, Bento pagava cerca de R$ 1 mil pelo serviço, em notas de R$ 100,00 e R$ 50,00 e, às vezes, em dólares. O dinheiro era pago pelo próprio João Bento, em seu gabinete, ou em uma sala ao lado.
Bento assumiu a Administração Regional em dezembro de 1996 e ocupou o cargo até o mês passado, quando pediu exoneração. Ele foi indicado pelo deputado Hanna Garib, em substituição ao ex-regional da Sé, Victor David.
CEMITÉRIOS - O Ministério Público Estadual (MPE) investigará um suposto esquema de propinas no serviço funerário da capital. Segundo denúncias publicadas na imprensa, haveria um esquema de cobrança de propinas em pelo menos dois cemitérios da Capital, o de Perus e da Penha. "Quero saber, antes de mais nada, como funciona a hierarquia no serviço funerário", declarou o promotor José Carlos Blat. Segundo ele, as famílias de pessoas falecidas eram obrigadas a pagar por túmulos e outros serviços, como a remoção de corpos. No cemitério de Perus, o MPE apreendeu três sacos com documentos referentes às operações administrativas do cemitério.
Segundo o promotor Blat, que classificou o esquema como "mórbido", seria cobrada uma taxa até para a manutenção dos restos mortais nos túmulos. O valor da propina variaria de R$ 100,00 a R$ 300,00. "É um absurdo, pois muitos serviços são gratuitos", disse o promotor Blat.
"É um assunto que nos deixa perplexos, pois não imaginaria que pudesse haver isso", disse o promotor Blat. Uma das formas utilizadas para o suposto esquema era conseguir vagas em cemitérios e realizar mais sepultamentos do que era permitido em determinadas áreas, onde o sepultamento é gratuito.

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