Polícia prende assassinos de professora de Jacareí
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sexta-feira, 10 de abril de 1998
Agência Estado 
A polícia de São Bernardo do Campo prendeu, por volta das 16h30 de ontem, os adolescentes Xuxa e Português, acusados do assassinato da professora Beatriz Junqueira, de Jacareí, no Vale do Paraíba, SP. Eles foram detidos em uma favela de Santo André, na periferia da cidade, e confessaram o crime. O carro da professora, um Fiat Uno vermelho, que estava desaparecido desde terça-feira, foi encontrado anteontem em São Bernardo do Campo. Os adolescentes vão ser transferidos para Jacareí.
A população de Jacareí está programando para a próxima semana um grande protesto contra a violência na cidade, motivado pelo assassinato de Beatriz. Ontem cerca de 300 pessoas compareceram ao enterro da professora, no cemitério de Avareí, no centro da cidade. Os alunos da Escola Estadual Alcina Moraes Sales, onde Beatriz trabalhava, levaram faixas e cartazes com mensagens solidárias à família e exigindo menos violência.
Beatriz foi sequestrada na noite de terça-feira na porta da Escola Alcina Moraes, onde trabalhava como vice-diretora, quando abria o portão do estacionamento. Ela foi levada no próprio carro e seu corpo foi achado numa área rural próximo à represa Billings. O corpo estava em uma vala e não apresentava marcas de violência; Beatriz teria sido morta com uma forte pancada na nuca.
A polícia de Jacareí investiga o caso com as hipóteses de vingança ou de latrocínio. A teoria da vingança se baseia em bilhetes com ameaças de morte que Beatriz recebeu depois de haver expulsado da classe a aluna S.R.J., de 12 anos, por estar vendendo crack aos colegas. O pai de Beatriz, Nairo Silveira, disse que sua filha fez o que tinha que ser feito. Seria errado ela deixar a droga correr solta na sala de aula, disse. A mãe d de S.R.J. nega seu envolvimento com drogas.


