Polícia prende acusados de matar índio caingangue
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2003
Sandra Hahn<br> Agência Estado 
Porto Alegre - A Polícia Civil prendeu dois dos três jovens acusados da morte do índio caingangue Leopoldo Crespo, de 77 anos, em Miraguaí, no noroeste do Rio Grande do Sul. A prisão preventiva foi decretada pelo Judiciário da comarca de Tenente Portela, a pedido da delegada Cristiane de Moura e Silva, de Miraguaí. O índio foi agredido quando dormia na principal rua da cidade, na noite de segunda-feira. Um adolescente de 14 anos, que também está envolvido no episódio, foi encaminhado ao Ministério Público.
A delegada disse que os dois jovens presos, Roberto Carlos Moraski e Almiro Borges de Souza, ambos de 19 anos, admitiram ter chutado o índio. Eles alegaram que não tinham intenção de matar Crespo, mas apenas de acordá-lo. O laudo da necropsia apontou que a morte foi resultado de traumatismo craniano, provocado por instrumento contundente. A Polícia Civil recolheu uma pedra que foi jogada no índio e encaminhou para perícia.
Na terça-feira, os suspeitos tinham sido identificados e foram interrogados pela polícia. Na quarta, depois de ouvir novamente um dos jovens, a delegada apresentou o pedido de prisão preventiva. O enterro do caingangue foi acompanhado, anteontem, por dezenas de índios da aldeia onde ele morava, dentro da reserva da Guarita, a maior do Estado, com 23 mil hectares, onde vivem entre 4,5 mil e 5 mil pessoas. Crespo era viúvo, tinha dois filhos e 14 netos.
O administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Passo Fundo (RS), Neri Ribeiro, disse que a entidade irá acompanhar o trabalho da Justiça. ''Preconceito sempre existiu, mas não violência'', relatou, sobre o relacionamento dos índios da reserva com as comunidades próximas. ''Não houve nenhum caso semelhante a esse'', acrescentou.


