Polícia prende 18 sem-terra no Pará
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 11 (AE) - Cerca de 800 famílias de trabalhadores sem-terra voltaram a ocupar hoje a fazenda Cabaceiras, em Eldorado dos Carajás (PA), de onde haviam sido retiradas há mais de um mês por 180 homens da Polícia Militar. Dezoito sem-terra foram detidos, entre eles três menores.
De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), os trabalhadores estavam acampados a 10 km da fazenda e a reocuparam porque o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o governo do Estado não cumpriram vários itens de um acordo, que previa até mesmo a destinação de outra área para assentar os sem-terra.
Agentes da Polícia Civil na região, com o apoio da Polícia Militar, detiveram 18 sem-terra ligados ao MST que estavam no antigo acampamento desmontando barracos e recolhendo pertences que seriam levados para a Cabaceiras. Eles foram levados para a delegacia de Eldorado. O delegado João Carlos Pereira, comandante da operação, afirmou que os trabalhadores estavam invadindo, por isso foram presos em flagrante.
O governador Almir Gabriel e o secretário de Defesa Social, Sette Câmara, foram informados das prisões mas não quiseram comentar a ação policial, classificada pelo MST e Fetagri de "ilegal e arbitrária". O movimento garante que a fazenda foi "ocupada pacificamente".
Pereira informou que a polícia vai prender também os coordenadores do MST no sul do Pará, Eurival Martins, Gladson Barbosa e Fernando Santiago, além de outros seis militantes do movimento. Eles foram responsabilizados pela Polícia Federal pela invasão e quebra-quebra na sede do Incra, em Marabá, no mês passado.
A família Mutran, dona da fazenda, acusou o MST de ter mantido vários funcionários como reféns durante a invasão, que começou na madrugada de ontem. O MST diz que apenas mandou que os empregados deixassem a fazenda."O MST é um movimento terrorista que usa tática de guerrilha para invadir propriedades privadas", afirmou o pecuarista Evandro Mutran, que pediu à polícia o cumprimento de uma reintegração de posse decretada pela Justiça.


