Polícia prende 14 acusados de fraudar Receita
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segunda-feira, 11 de abril de 2005
Marcelo Flache e Silvio Navarro <br>Folhapress 
Porto ALegre, RS- Uma operação realizada pela Polícia Federal em cinco Estados e no Distrito Federal prendeu, ontem, 14 pessoas acusadas de integrar um grupo que fraudou R$ 1 bilhão da Receita Federal.
O grupo, encabeçado pelo argentino César de La Cruz Mendoza Arrieta e por Roberto Coimbra Fabrim, negociava créditos tributários ''frios'' ou não-habilitados com empresários em dificuldade financeira. Os créditos são usados para pagar tributos.
Segundo a polícia, a negociação era feita por meio da empresa Vale Couros Trading, com sede em Palmas (TO), mas com base operacional em Porto Alegre (RS).
A Vale Couros movimentou R$ 1,49 bilhão durante seis meses no ano passado, basicamente com a compra de carteiras de investimentos sem pagar impostos.
A reportagem procurou pelos advogados dos detidos pela PF, mas não conseguiu localizá-los.
A investigação do Núcleo de Repressão a Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro da PF no Rio Grande do Sul começou em 2002, em Santa Maria. Os participantes do esquema são acusados de crime contra o sistema financeiro e formação de quadrilha.
A ação da Polícia Federal, batizada de ''Operação Tango'', em referência ao argentino Arrieta, prendeu integrantes do esquema em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Paraíba, no Tocantins e no Distrito Federal. A operação mobilizou 300 homens no país.
No total, foram apreendidos 15 carros, uma lancha de grande porte e um avião pequeno. Segundo a PF, o avião, localizado em SP, estava pronto para possível fuga.
O esquema de fraude passava por dois caminhos: se uma empresa precisava pagar dívidas, a Vale Couros vendia compensações de créditos tributários, oriundos de IPI.
Os créditos utilizados não poderiam ser negociados, pois são objetos de discussão na Justiça.
Segundo o Ministério Público Federal no RS, a investigação do esquema e de outros participantes ainda está em curso.


