Polícia prende 12º suspeito de skinhead
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quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil prendeu ontem à tarde Anderson Marondes de Souza, de 21 anos, suspeito de integrar uma quadrilha de skinheads que teria espalhado adesivos com mensagens contra negros e homossexuais e praticado agressões em Curitiba. Segundo a assessoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), o jovem se apresentou à polícia e foi detido porque a Justiça havia decretado a prisão preventiva dele.
Um rapaz homossexual e negro agredido por skinheads no mês passado em Curitiba reconheceu Souza como uma das pessoas que o atacaram. ''Por volta das 7 horas, eu saí de uma casa noturna no Centro e fui a uma panificadora tomar café. Quando deixei o local, fui abordado por cinco pessoas, uma mulher e quatro rapazes. Eles tentaram me dar uma rasteira, mas não conseguiram me derrubar. Aí um deles me acertou com um golpe de tesoura, no abdômen'', relatou o rapaz, que pediu para não ser identificado.
Na quarta-feira, a Polícia Civil prendeu 11 pessoas suspeitas de integrar a gangue de skinheads. Dos detidos, um casal foi reconhecido pelo rapaz agredido. ''No dia do ataque, eles me disseram que gays e negros tinham que morrer. Mas não guardo rancor deles. Eu tenho dó dessas pessoas.''
Ontem, representantes de entidades de defesa dos direitos de homossexuais e dos afrodescendentes parabenizaram a Polícia Civil pela prisão dos integrantes da suposta quadrilha, mas alertaram que ainda há muito a ser feito no caminho da superação do preconceito.
''Algumas autoridades haviam dito que isso (a existência de simpatizantes do nazismo em Curitiba) era uma ilusão nossa. Nós denunciávamos há anos'', disse Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade, que defende direitos de gays, lésbicas e transgêneros. ''Esses grupos nazistas não são um problema apenas de Curitiba. Há outras quadrilhas em várias partes do Brasil, que mantêm contato até com grupos da Europa'', afirmou Saul Dorval da Silva, presidente do Instituto Brasil-África (Ibaf).
André Nunes da Silva, advogado do Instituto de Pesquisa de Afrodescendência (Ipad), comentou que a aprovação na Assembléia Legislativa do Paraná de um indicativo para a criação de uma delegacia para investigar crimes de racismo é um grande avanço. ''Além disso, está tramitando na Assembléia uma indicação para que seja criado o SOS Racismo, um organismo com estrutura da Secretaria de Estado da Justiça e do Ministério Público que irá agilizar os processos relativos a denúncias de discriminação e oferecer assistência às vítimas deste crime'', explicou o advogado.


