Polícia prende 12 acusados de dar golpes no comércio
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terça-feira, 03 de julho de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Doze pessoas, incluindo um ex-policial civil, foram presas em uma operação realizada ontem, em Curitiba, acusadas de integrar duas quadrilhas que vinham aplicando golpes no comércio da cidade. Segundo a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC), os detidos abriam empresas usando documentos falsos e, por meio delas, conseguiam financiamentos para compra de mercadorias e veículos, sem que depois quitassem as dívidas. Os grupos também são suspeitos de receptar cargas roubadas. O valor total dos golpes pode ultrapassar R$ 2 milhões.
O delegado Rodrigo Brown de Oliveira, responsável pelo caso, conta que as investigações começaram há quatro meses. ''Investigávamos as duas quadrilhas separadamente, mas percebemos que algumas informações se cruzavam e resolvemos desmantelar os dois grupos na mesma operação'', explica.
Uma das quadrilhas seria chefiada por Valmir Marafon, 44 anos. Ele comandaria uma série de negócios fraudulentos através da empresa Dom Eletro, que possui duas lojas em Curitiba. Segundo Oliveira, as empresas foram abertas em outubro do ano passado, uma no nome de uma pessoa já falecida e outra usando documentos roubados. As investigações apontaram que a empresa chegou a comprar, com financiamentos que nunca foram pagos, três caminhões e três carros, incluindo uma BMW. A Dom Eletro também teria comprado mais de R$ 60 mil em mercadorias, também não pagas.
A DEDC investiga também a suspeita de que Marafon atuaria na receptação de mercadorias roubadas. Ontem, parte de uma carga de tecidos foi encontrada em sua casa. Marafon também teria ligação com uma distribuidora de cosméticos que venderia produtos roubados. Além dele, outras quatro pessoas foram presas ontem acusadas de integrar sua quadrilha. Entre elas, o ex-policial civil Alexandre Gonçalves, 37 anos, e Mário Emer, 54 anos, com quem a polícia apreendeu duas pistolas. Outros cinco suspeitos continuam foragidos, incluindo Alvascir Veiga de Miranda, papiloscopista do Instituto de Indentificação do Paraná, órgão ligado à Polícia Civil. Ele é suspeito de vender documentos falsos à quadrilha.
Na operação de ontem, os policiais prederam mais sete pessoas, acusadas de integrar outra quadrilha. O grupo seria chefiado por Josuel Inácio dos Santos, 39 anos, que teria aberto uma empresa de telecomunicações utilizando documentos de um tio falecido no ano passado. A DEDC suspeita que a empresa era usada para confirmar dados cadastrais dos golpistas na abertura de financiamentos para compra de veículos e na obtenção de empréstimos bancários.
Com integrantes das duas quadrilhas, a polícia apreendeu dez veículos, além de computadores, vários telefones celulares e grande quantidade de mercadoria, cuja procedência será investigada. Cerca de U$ 5 mil (R$ 9.550) e R$ 5 mil em dinheiro também foram recolhidos.


