Polícia pode liberar presos por sequestro
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sexta-feira, 26 de março de 1999
Paulo Peixoto Agência Folha 
A Polícia Civil de Goiás já admite que alguns suspeitos de terem participado do sequestro do compositor Wellington Camargo poderão ser liberados por falta de provas. Por enquanto, os 20 suspeitos continuam cumprindo a prisão temporária de 30 dias - podendo ser prorrogada por mais um mês - na Deic (Delegacia Especial de Investigações Criminais), em Goiânia.
No caso de alguns, não estamos achando muita ligação direta com o sequestro. Mas continuamos investigando, disse o delegado-chefe do Grupo Anti-Sequestro da Polícia Civil de Goiás, José Pinheiro, sem entrar em detalhes.
O secretário da Segurança Pública e Justiça de Goiás, Demóstenes Torres Xavier, tem afirmado que os suspeitos presos no Estado de Goiás podem ter tido uma participação menor no caso. Eles seriam apenas informantes dos sequestradores.
São sete suspeitos de Goiás, sendo dois policiais militares que estão presos em um quartel da Polícia Militar em Goiânia. Quatro dos presos são mulheres. A Polícia Federal, que também trabalhou no caso a pedido da família de Wellington Camargo, já havia informado que duas mulheres (mãe e filha) presas na região de Campinas (SP) podem ter ajudado os sequestradores sem saber do plano.
M.H.V. e F.V. teriam emprestado os seus documentos para que os sequestradores comprassem os três telefones celulares usados no sequestro do compositor. A liberação desses suspeitos, no entanto, não deve acontecer imediatamente. Ela só vai ocorrer quando a polícia tiver certeza do não-envolvimento de alguns ou se não conseguir provas que os incrimine.
Até a tarde de ontem, apenas oito dos 20 suspeitos presos tinham sido ouvidos pela polícia. O depoimento de cada um tem demorado, em média, seis horas. Estão sendo ouvidos, pela ordem, os oito presos em Campo Grande, os cinco presos na região de Campinas e, por último, os suspeitos de Goiás.
Continuam foragidos os suspeitos Ademir Oliveira e Luís Carlos Medeiros. Esse último estaria também, segundo a polícia, com os cerca de US$ 40 mil ainda não recuperados do resgate pago - o valor total foi de US$ 300 mil.
Os US$ 261,4 mil recuperados com os suspeitos de Campo Grande foram
devolvidos à família de Wellington anteontem.
Wellington, que é irmão da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, ficou 94 dias em poder dos sequestradores. Ele foi libertado no último domingo, na região metropolitana de Goiânia.
O compositor teve dois terços da orelha esquerda cortada pelos sequestradores, que enviaram o pedaço para a família como forma de exigir o pagamento do resgate.
A polícia diz que quem cortou a orelha foi Moacir Oliveira. Esse, por sua vez, disse em entrevista que o culpado foi seu irmão José Francisco Oliveira, mas que todos são responsáveis.
Wellington deve fazer na próxima semana a primeira cirurgia para reconstrução da orelha cortada, caso melhore do quadro de anemia que apresenta.


