A polícia baiana vai pedir hoje à Justiça a prisão preventiva do empresário Oswaldo Prazeres, o ‘‘Vardo dos Fogos’’, acusado de homicídio culposo, como responsável pela explosão da fábrica de fogos de artifício que havia matado 34 pessoas até a tarde de ontem, em Santo Antônio de Jesus, a 185 quilômetros de Salvador. ‘‘Vardo dos Fogos’’ é o proprietário da fábrica, que funcionava em condições precárias de segurança nos três galpões destruídos, na Fazenda Juarana, periferia da cidade.
Segundo o diretor do Departamento de Polícia do Interior (Depin), Altamirando Rodrigues, desde anteontem há provas suficientes de que ‘Vardo dos Fogos’ provocou a tragédia, embora não tivesse a intenção de matar. ‘‘Como o cartório estava fechado, vamos dar entrada no pedido amanhã (hoje) de manh㒒, disse Rodrigues.
‘‘Vamos reiterar também dois processos antigos, nos quais ‘Vardo’ está envolvido.’’ Rodrigues apurou que uma outra fábrica de ’’Vardo dos Fogos’’ explodiu, matando a adolescente Rosemary dos Santos e ferindo oito pessoas, em 1991. O inquérito foi remetido à Justiça, mas ‘‘Vardo dos Fogos’’ continuou impune. Neste mesmo ano, acrescentou o diretor, uma caminhonete que transportava fogos produzidos pela empresa de ’’Vardo dos Fogos’’ explodiu, matando 11 pessoas, no centro de Jitaúna, no Sudoeste do Estado.
Os técnicos do Exército também constataram uma série de irregularidades, ao recolher amostras dos escombros para perícia. Havia material explosivo guardado em condições de risco. Os galpões de produção funcionavam ao lado de depósitos de fogos prontos para distribuição. O tenente-coronel Arlington Santos, responsável pela inspeção, não quis adiantar a conclusão da perícia, mas os técnicos admitem que houve imprudência na armazenagem do produto explosivo. Apesar de, nesta época do ano, as fábricas receberem mais encomendas em razão das festas de reveillon, o Exército não vinha fiscalizando as distribuidoras de Santo Antonio de Jesus, principal produtor de fogos de artifício do Estado.
A secretária de Saúde do município, Eliane Farias, disse que a prefeitura decretou luto oficial por três dias. Segundo Eliane, até as 17 horas de ontem, chegava a 31 o número de mortos identificados. ‘‘O número deve aumentar nas próximas horas porque nossa expectativa é que no máximo dez dos 46 feridos voltem pra casa’’, admitiu Eliane. O empresário deixou a cidade às pressas, desde que soube da tragédia, no fim da manhã de sexta-feira.
Os médicos deram o nome de Vitória ao bebê de Rosângela de Jesus, queimada na tragédia. O parto prematuro foi realizado anteontem e Vitória sobrevive com ajuda de aparelhos. Já Angela Conceição, que estava no sexto mês de gestação, perdeu o bebê.Segundo a enfermeira do Hospital-Geral do Estado Suzana Santana, outra mulher grávida, Claudiane Santos, permanecia em observação. Os médicos, até a tarde de ontem, não haviam se decidido a induzir o parto para tentar salvar o bebê.
Os crimes de morte e tentativas de homicídio, na noite de anteontem e madrugada de ontem, em São Paulo, concentraram-se na zona sul, onde cinco pessoas foram assassinadas e uma, ferida. No início da noite, o garçom Rogério Gomes de Aguiar, de 27 anos, foi morto com tiros na cabeça, em frente do número 17 da Rua Manoel da Conceição, no Jardim Macedônia. Aguiar tinha passagens na polícia por furto e morreu antes que pudesse ser socorrido.
O delegado de plantão no 47º Distrito Policial (DP) - Capão Redondo - pediu ajuda nas investigações aos agentes da equipe especializada do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Algumas das pessoas que foram assassinadas tinham passagem pela polícia o que leva os investigadores a crer que pode se tratar de queima de arquivo ou alguma rixa.

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