São Paulo, 07 (AE) - A polícia vai ouvir esta semana o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB), acusado por Marco Antônio Zeppini, ex-chefe de fiscalização da Regional de Pinheiros, de se beneficiar com o esquema de corrupção da máfia dos fiscais com mais de R$ 120 mil por mês.
O fiscal que não concordava em arrecadar para o vereador era ameaçado de transferência ou transferido da regional, disse Zeppini, em seu depoimento de mais de 9 horas.
O delegado Romeu Tuma Júnior, um dos responsáveis pelas investigações, explicou hoje que o depoimento de Zeppini, na sexta-feira, no Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), foi dado com riqueza de detalhes sobre nomes e cifras. Ele detalhou como funcionava a corrupção na regional de Pinheiros. "Com as informações colocamos agora no tabuleiro de xadrez que montamos, no começo da apuração, as pedras nos lugares certos."
Zeppini contou que era o coordenador da caixinha da regional e forneceu a lista dos nomes de todos os funcionários e ex-funcionários que participavam do esquema.
Zeppini já foi indiciado em 35 inquéritos, todos por corrupção, e condenado em um deles a 5 anos de prisão.
Toda sexta-feira é retirado da cadeia para ser interrogado no Dird. Suas respostas às perguntas da polícia eram sempre as mesmas. "Me reservo o direito de falar em juízo."
Na sexta-feira, Zeppini chegou escoltado, pouco depois das 10 horas. Foi submetido a mais uma série de reconhecimentos de vítimas de extorsão. Nomes e telefones das pessoas foram encontrados na agenda de Zeppini. A sessão de reconhecimento terminou pouco antes do meio-dia.
Zeppini conversou com os policiais, promotores, e, ao ser indiciado no 35.º inquérito, por formação de quadrilha, recebeu novamente a promessa de que, se colaborasse, poderia ter a pena reduzida.
Coçou a cabeça e não respondeu. Voltou a ser alertado de que a cada inquérito poderia receber condenação de 5 anos. Com os 35 inquéritos teria, no mínimo, 175 anos de prisão a cumprir. Quase chorando, Zeppini disse que estava cansado e "não iria segurar sozinho toda a bronca".
O delegado Múcio Matos de Alvarenga, responsável pelas investigações e reconhecimentos, acalmou Zeppini e disse a ele que seria a grande chance de contar o que sabia.
Tuma informou que era o que a polícia e o Ministério Público queriam durante todos esses meses. Era uma estratégia para que um dia Zeppini "falasse de livre e espontânea vontade".
Ele foi levado para uma sala onde almoçou arroz, feijão, carne e salada. Bebeu uma garrafa inteira de água e também café. Respirou fundo e, antes das 13 horas, começou a responder às perguntas do delegado Alvarenga.
Declarou que em fevereiro de 1998 o vereador Faria Lima passou a exigir o pagamento da propina arrecadada pelos fiscais da regional. "Ele queria somente em dinheiro e, para cumprir a exigência, eu depositava os cheques recebidos na conta da minha empresa para transformá-los em dinheiro."
O ex-chefe da regional disse ao delegado que o dinheiro da propina era mandado para Maria Thereza Almeida Ferreira, ex-engenheira da regional, e ela fazia chegar o montante arrecadado ao vereador. Maria Thereza também será ouvida esta semana.

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