Polícia ouve parentes de promotor de show no Jockey
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A prima de Athayde de Oliveira Neto, promotor do show ''Unidos pela Paz'', Suelen Silveira, 20 anos, prestou depoimento, ontem, na Delegacia de Homicídios, em Curitiba. Ela ajudou na organização do evento, encaminhando ofícios aos órgãos da polícia e da Prefeitura de Curitiba para solicitar policiamento e obter os alvarás. A jovem confirmou que Athayde teve ajuda financeira de terceiros para promover o show, mas disse desconhecer quem seriam as pessoas. Um tumulto na entrada do show, realizado sábado passado, acabou com a morte de três adolescentes pisoteados.
Suelen insistiu que a participação de familiares e amigos era uma praxe em todos os shows que Athayde promovia. Quanto à culpa atribuída a seu primo pela tragédia ocorrida na entrada do evento, ela disse ser injusta, pois o tumulto, segundo ela, que aconteceu do lado de fora do Jockey Club, foi por falta de policiamento. Ela afirmou que havia brigas de gangues rivais e que teriam sido essas pessoas que teriam provocado o empurra-empurra, na tentativa de entrar sem portar ingressos.
O pai de Athayde, o comerciante Athayde de Oliveira Júnior, também depôs ontem. Ele se recusou a falar com a imprensa. A justificativa de seu advogado, Júlio Militão, foi de que a exposição de seu cliente poderia comprometer seus negócios. Athayde Júnior assinou o pedido de alvará da 1 Vara da Infância e da Juventude para permanência de adolescentes com idade igual ou superior a 16 anos no show, usando o nome de sua empresa Restaurante Dançante Macallan Ltda., que seria o nome fantasia ALM Eventos.
De acordo com o superintendente da Delegacia de Homicídios, Neimir Cristóvão, Athayde Júnior pode ser responsabilizado por usar um nome fantasia falso. Existe uma empresa em Curitiba com as mesmas iniciais ALM que, segundo a polícia, não tem qualquer relação com Athayde Neto.
A expectativa de Militão era de que o pedido de habeas corpus de Athayde Neto fosse julgado ontem pelo Tribunal de Alçada (TA), o que não se confirmou. Athayde desapareceu logo depois do tumulto. Sua prisão temporária foi decretada no último domingo.


