Polícia ouve nora de Castor na segunda
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Andreia Maia e Murilo Fiuza de Melo 
A mulher do engenheiro Paulo de Andrade, de 47 anos, Beth Andrade, pode ser uma das principais peças para esclarecer o possível envolvimento da família no assassinato de seu marido. Paulo de Andrade, filho do banqueiro do bicho Castor de Andrade, foi morto na quarta-feira à noite, na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Beth será ouvida segunda- feira à tarde na 16ª Delegacia Policial (Barra da Tijuca). Segundo laudo do IML, Paulinho foi morto com cinco tiros de pistola 9 milímetros.
O delegado Carlos Alberto Nunes Pinto não descarta a hipótese de uma briga em família por causa da disputa pelos pontos do bicho. Ela poderá esclarecer se existe alguma rivalidade, disse o delegado. Durante o enterro de Paulinho, Beth garantiu que não havia desavenças entre os parentes e que seu marido nunca se envolveu com a contravenção.
Depois da morte de Castor de Andrade, em abril de 1997, seu irmão João Carlos de Andrade Silva assumiu o controle dos negócios da família, ficando com 60% da arrecadação dos pontos de bicho. Paulinho e sua mãe, Vilma Andrade, ficavam com os 40% restantes dos lucros. Com o agravamento da doença de João Carlos, que tem câncer no pulmão, o controle passou, segundo informações do Serviço Reservado da Polícia Militar, para seus filhos Rogério, de 35 anos, Renato, 34, e Rinaldo, 25. Segundo a mesma fonte, Rogério seria o sobrinho predileto de Castor que, antes de morrer, o teria nomeado para ser seu sucessor.
O advogado da família Andrade, Wilson Lopes, desmentiu a hipótese. Eles sempre foram unidos, garantiu. Isso não passa de especulação. Além dessa suspeita, o delegado investiga se o crime teria sido passional ou cometido pelo traficante Celso Luís Rodrigues da Silva, o Celsinho da Vila Vintém, que fugiu na semana passada do Hospital Penitenciário Fábio Maciel, no Centro. Essa é uma hipótese e está sendo levada em consideração na apuração do assassinato, disse Nunes Pinto. No passado, Paulinho e o traficante tiveram uma desavença.
Nunes Pinto divulgou o laudo da necrópsia feita no Instituto Médico-Legal (IML). Segundo o exame, o engenheiro morreu com cinco tiros de pistola 9 milímetros, que o atingiram no peito, no rosto, no pescoço e nas costas. O segurança que o acompanhava, Haroldo Alves Bernardo, de 51 anos, foi morto com oito tiros. As cápsulas encontradas no local do crime foram encaminhadas para análise no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). O laudo, que deverá ficar pronto na segunda-feira, confirmará se os disparos foram só de uma arma.
O delegado ouviu ontem pela manhã o ajudante Waltenir dos Santos, de 37 anos, que viajava no caminhão da transportadora Minuano - usada pelo assassino para escapar do local do crime. Assim como o motorista João Conegudes, de 43 anos, ouvido na quinta-feira, o depoimento não ajudou a polícia a fazer o retrato falado do criminoso.
Os dois confirmaram que o bandido os dominou com a arma em punho, dizendo-se que era policial, e pediu para descer no BarraShopping, a três quilômetros de onde Paulinho foi morto em sua Cherokee. Eles disseram apenas que o assassino era moreno e estava bem vestido. A polícia ainda não localizou a testemunha Elói Cantarino Filho, que afirmou ter visto o crime.


