Polícia ouve coordenador que analisa gastos de módulo do PAS
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 20 (AE) - O coordenador do grupo de trabalho que analisa os gastos do módulo 11 do Plano de Atendimento à Saúde (PAS), na Vila Brasilândia, zona norte da capital, Antonio Pádua Pinheiro, foi ouvido hoje pela polícia.
O grupo, que realiza uma espécie de auditoria interna para reduzir os custos do módulo, que era controlado pelo deputado estadual Hanna Garib,investiga eventual superfaturamento nas despesas. Houve casos em que foi pago por um serviço em janeiro dez vezes mais do que será gasto pela mesma atividade nos próximos meses.
"O excesso de gastos indica suspeita de má-administração ou malícia", disse o delegado Luiz Antonio Ribeiro Longo. O trabalho de auditoria começou no dia 19 de março deste ano e mostrou que grande parte das empresas que fornecem materiais para o PAS estariam cobrando preços acima do mercado.
Na primeira etapa, foi realizada uma planilha de gastos de serviços entre janeiro e abril deste ano. Após a auditoria realizada pelo grupo, constatou-se que será gasto nos próximos meses, em alguns setores, cerca de dez vezes menos do que foi gasto no início do ano. A empresa Bento Serviços de Manutenção Predial, por exemplo, cobrou R$ 22 mil por serviços prestados em janeiro. Para junho, a previsão é de que seja gasto, pelo mesmo serviço, R$ 1,8 mil.
Outra empresa que prestava serviços para o PAS, a Gaya Multi Serviços, recebeu R$ 11,8 mil em janeiro. Para julho, a projeção é de que seja pago R$ 5,2 mil. No início do ano também foi gasto R$ 79,4 mil com segurança. Em julho, a previsão é de R$ 40 mil.
Pinheiro também citou o fato do módulo ter adquirido, em um mês, cerca de 300 refeições para pacientes por intermédio de sondas, cerca de dez vezes mais do que é necessário. Em alguns serviços, como o de radiografia, os custos foram reduzidos em cerca de 80%. Em exames de laboratório, o corte foi de cerca de 40%, sem prejuízo no atendimento.
Para que os gastos fossem adequados, foram tomadas várias medidas administrativas, com a rescisão de alguns contratos com empresas. Em outros casos, os preços estão sendo negociados.
As investigações da polícia incluem a análise de uma série de documentos apreendidos no PAS, principalmente notas fiscais. Em relação ao módulo 11, a polícia deve ouvir o presidente do módulo, Joaquim de Sá Rabello.
Anhembi - Hoje, o delegado Itagiba Franco ouviu a esposa do ex-vereador e deputado estadual Hanna Garib, Valéria Garib, e o filho do deputado, Ricardo. Os depoimentos foram considerados vagos pelo delegado, que apura a suposta lista de funcionários fantasmas da Anhembi.
"Eles foram muito vagos quando falaram sobre as atividades que exerciam na empresa", afirmou o delegado. Valéria trabalhou de 1993 até março deste ano e recebia R$ 3,3 mil de salário. Seu filho, por sua vez, trabalhou de 1998 até janeiro deste ano, por um salário de R$ 2 mil. Os dois foram exonerados no mesmo dia.
"O desligamento pode estar ligado às investigações, que começaram na mesma época", disse Franco. Segundo ele, os dois alegaram que prestavam serviços externos para o Anhembi na área de eventos, mas não souberam precisar as atividades exercidas. Ricardo, por exemplo, citou que trabalhou com festas juninas de outubro a março. "Depois ele ratificou, mas eles não apresentaram nenhum comprovante de serviço, como relatórios escritos", salientou Franco.
Mãe e filho negaram que tenham sido indicados para a Anhembi pelo chefe da família. "Eles disseram que foram procurar o emprego diretamente com o ex-presidente da empresa", disse Franco.
O advogado de Valéria e Ricardo, Paulo Sérgio Fernandes, negou que eles tenham sido funcionários fantasmas. "Era um trabalho duro", alegou. Ele acredita que o afastamento tenha sido motivado por perseguições políticas.
Para o promotor Roberto Porto, que acompanhou o depoimento, ficou caracterizado que os dois não trabalhavam. "Eles confirmaram as suspeitas do Ministério Público de que são fantasmas", disse. "Houve muitas contradições que demonstram que eles desconheciam totalmente suas funções no Anhembi", completou Porto.


