Polícia ouve 200 menores sobre rebelião na Febem
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Luciana Garbin 
São Paulo, 23 (AE) - A Polícia vai apurar a responsabilidade de outros envolvidos na rebelião do sábado na unidade Tatuapé da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Além dos 17 maiores de idade indiciados por tentativa de homicídio, formação de quadrilha e dano qualificado no domingo, pelo menos mais 200 internos devem ser ouvidos a partir de hoje. Seus nomes vão ser enviados à 5ª Delegacia Seccional pela Febem.
Se comprovada a participação de maiores de 18 anos na rebeliãoeles podem ser indiciados por motim, mediante violência e dano ao patrimônio público, e responder penalmente pelos crimes. Funcionários envolvidos em espancamentos de internos também estão na mira da polícia.
"A balança tem dois lados", garante o titular da 5ª Delegacia Seccional, Ivaney Caires de Souza. "Vamos buscar dentro da lei um rigor que possa inibir atos de violência como os verificados na última rebelião por parte dos adolescentes, mas não vamos esquecer de apurar a atitude dos monitores; há pelo menos 30 inquéritos sobre maus-tratos envolvendo funcionários." A previsão para conclusão do inquérito é de 30 dias.
Tranca-zero - Hoje, promotores de Justiça da Infância e Juventude voltaram a denunciar espancamentos na unidade do Tatuapé. Segundo o promotor Wilson Tafner, exames de corpo de delito revelaram que 32 internos da UE-1 sofreram maus-tratos depois que a rebelião de sábado foi controlada.
"Também descobrimos um local conhecido como tranca zero, uma cela isolada que fica dentro de um banheiro cheirando a esgoto e onde os garotos são mantidos trancados eisolados por até 15 dias
como se estivessem numa solitária."
Outra denúncia envolvendo a Febem foi feita também ontem pela presidente da Associação das Mães e Amigos de Crianças e Adolescentes em Risco (Amar), Conceição Paganele. Ela afirma que o menor J.C.T.S foi baleado no sábado e levado para o Hospital de Ermelino Matarazzo.
Hoje à noite, ele estava na Unidade de Terapia Intensiva. "A Febem o deixou lá e não avisou ninguém; vamos apurar o que aconteceu com ele e exigir providências." A reportagem procurou a Assessoria de Imprensa da fundação no início da noite para comentar as denúncias, mas o expediente já havia terminado.


