Rio de Janeiro - Quando policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram nos blindados da Marinha, perto das 6h, para instalar a 18 Unidade de Polícia Pacificadora, na Mangueira, a Polícia Federal sabia que nenhum chefe do tráfico estaria no morro.
Ao ''fechar'' o chamado cinturão de segurança em torno do Maracanã, na Zona Norte do Rio, a Secretaria Estadual de Segurança Pública reforça o modelo de retomar territórios, mas não prender os líderes do tráfico.
Nas áreas de oito UPPs instaladas no raio de dois quilômetros do estádio, palco de jogos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos de 2016, cinco traficantes da região ainda estão foragidos.
''Hoje, um território foi devolvido para cerca de 20 mil pessoas. É preciso pensar que a saída dos traficantes deste território os deixa vulneráveis. Nós preferimos mil vezes isso'', afirma o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.
Durante a ocupação, um helicóptero da Polícia Militar jogou sobre a comunidade panfletos com os nomes e fotos de quatro foragidos. Dentre os rostos nos panfletos há os de criminosos do próprio morro: Alexander Mendes da Silva, o Polegar e seu principal comparsa, Lucio Passos, o Biscoito.
De acordo com policiais civis, militares e federais, os traficantes deixaram a Mangueira nas últimas duas semanas. Com o anúncio prévio da instalação da UPP, levaram drogas e armas. O resultado está na apreensão pífia: 35 quilos de maconha, 50 gramas de pasta base de cocaína, 32 veículos e um revólver.
''O Bope definirá por quanto tempo ficará na Mangueira. Depois disso, entram os policiais da UPP'', conta Roberto Alzir, superintendente de Planejamento Operacional da secretaria.

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