Polícia mineira investiga envolvimento de deputados e empresários com o narcotráfico
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sábado, 04 de dezembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 04 (AE) - Dois deputados e seis empresários mineiros estão sendo investigados pelas polícias Federal, Civil e Militar, sob a suspeita de envolvimento com o narcotráfico no Estado. Os oito nomes foram enviados pelo presidente da CPI estadual, Marcelo Gonçalves (PDT). "Fiquei surpreso com o envolvimento dessas deputados", disse hoje o deputado.
As denúncias chegaram ao gabinete de Machado por meio de carta anônima. Segundo ele, a descrição é minuciosa sobre o envolvimento dos deputados estaduais e dos empresários. Um dos parlamentares é acusado de ter coordenado o esquema de corrupção para a fuga de Fernando Beira-Mar. O traficante carioca fugiu misteriosamente do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) no ano passado e continua foragido.
A carta conta em detalhes como foi planejada a fuga, quais eram as pessoas envolvidas - policiais e políticos - e quanto cada um levou no esquema. "O tal deputado foi quem distribuiu o dinheiro e também ficou com a parte dele." O presidente da CPI mineira do Narcotráfico espera receber até quinta-feira, dia da próxima reunião ordinária da comissão, um relatório da Polícia Federal com os primeiros resultados da investigação. Se houver indícios de ennvolvimento dos deputados, a primeira providência a ser tomada será o pedido de afastamento dos parlamentares. A segunda, a intimação para prestar depoimento.
"É uma situação muito delicada", afirmou Machado. "Cruzo com eles nos corredores, no plenário." Os oito nomes encaminhados às polícias serão mantidos em sigilo durante as investigações. O presidente da CPI só adiantou que os dois deputados investigados integram a bancada governista. Apóiam o governador Itamar Franco os parlamentares do PMDB, PT, PSB, PDT e PTB.
De acordo com ele, os seis empresários envolvidos são nomes bastante conhecidos no Estado.Na segunda-feira a CPI mineira instalará um disque-denúncia do tipo 0800. "As contribuições devem aumentar depois disso", acredita o presidente. Os depoimentos começam na outra semana. Cinco pessoas, indicadas pela Polícia Civil, já foram convocadas.
Destes, os dois depoimentos mais esperados são os do traficante Roni Peixoto, braço-direito de Beira-Mar em Minas, e sua ex-namorada Luciana Assis. Peixoto está preso e Luciana, sob esquema especial de segurança. Ela está sendo mantida pela polícia em lugar sigiloso desde que prestou depoimento espontâneo ao juiz da vara de Tóxicos, Eli Lucas de Mendonça.
Ao juiz, Luciana revelou nomes de políticos e empresários ligados ao narcotráfico. As informações deverão ser repassadas aos integrantes da CPI do Congresso, em encontro que deve ocorrer na próxima semana. A família da moça tem argumentado que suas declarações não podem ser levadas em consideração porque ela sofre de problemas mentais. No entanto, o juiz garante que em seu depoimento Luciana não entrou em contradição ou apresentou sinais de desequilíbrio.


