Lucinéia Parra
De Maringá
Oito trabalhadores sem-terra foram presos ontem, durante a desocupação da fazenda Alto Limpo I, em Santo Inácio (111 quilômetros ao norte de Maringá). Junto com os sem-terra presos, a polícia apreendeu dois revólveres calibre 38 e 17 espingardas calibres 12, 28, 32 e 36. É a maior apreensão de armas em acampamento de sem-terra registrada pela Polícia Militar do Paraná nas operações de reintegração de posse.
A desocupação foi feita por 242 policiais dos Grupos de Operações Especiais (GOE) de 17 Batalhões da Polícia Militar. Foi um dos maiores contingentes de policiais já convocado para reintegração de uma área. De acordo com o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Maringá, major Nelson João Casarolli, a ordem para desocupação da fazenda Alto Limpo I foi dada pelo secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, na quarta-feira. Casarolli explicou que o elevado número de policiais foi convocado para participar da operação por uma medida de segurança. ‘‘Entramos na fazenda em duas frentes e em seis minutos todos os 35 barracos haviam sido tomados e os 50 homens do acampamento imobilizados’’, disse.
Conforme Casarolli, não houve nenhuma reação por parte dos sem-terra. Os policiais, segundo o comandante, entraram na fazenda às 6 horas. A maioria dos sem-terra estava dormindo, principalmente mulheres e crianças. Dois ônibus e dois caminhões foram alugados pela proprietária da fazenda, Ivone Rodrigues de Mello, para fazer o transporte dos trabalhadores sem-terra. A maioria retornou para suas casas, nas cidades de Santo Inácio e Santa Inês. Apenas quatro famílias não tinham para onde ir. A sem-terra Marcia Rosária de Souza morava em Chapadão do Sul (GO). ‘‘Agora nós somos sem-terra e sem-teto’’, disse.
A Fazenda Alto Limpo I foi invadida no dia 10 de novembro. A propriedade tem 136 alqueires de pastagens. Conforme a proprietária da área, Ivone Henrique de Mello, a produtividade da fazenda está nas 400 cabeças de gado leiteiro e de corte. O gado foi retirado logo depois da invasão dos sem-terra. ‘‘Eles estavam matando os animais’’, disse Ivone, que também é dona da Fazenda Cantagalo, no mesmo município. No momento da desocupação, estavam nos barracos 113 pessoas, sendo 56 homens, 19 mulheres e 38 crianças.
Os trabalhadores sem-terra presos são: José Rodrigues de Freitas, 43; Dionísio Galindo, 27; Wilson Silva, 33; José Carlos de Oliveira, 47; Manoel Barbosa, 56; José Antonio Furlan, 27; Benedito de Paula, 31; e José Francisco Silva, 45. Os sem-terra, conforme um policial da delegacia de Colorado, deverão responder por posse e porte ilegal de arma. A maioria dos sem-terra disse ontem à Folha que não estava portando armas no momento da desocupação da fazenda. ‘‘Eu estava saindo para ir trabalhar quando vi os policiais. Não estava armado, mas os policiais encontraram uma espingarda do lado do meu barraco e eu acabei preso’’, desabafou Dionísio Galindo.