Polícia localiza suspeito de envolvimento na venda de disquetes com informações sigilosas da Receita
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 17 (AE) - A polícia de São Paulo apreendeu computadores e disquetes em Jundiaí e localizou mais uma pessoa suspeita de envolvimento na venda de disquetes com informações sigilosas da Receita Federal sobre 17 milhões de contribuintes. O material também será analisado pelo Instituto de Criminalística de São Paulo (IC).
O objetivo da polícia é decifrar o conteúdo dos arquivos dos computadores apreendidos e saber se eles estão relacionados à venda de dados da Receita. O delegado responsável pelo caso, Manoel Adamuz Neto, titular do 5.º Distrito Policial, havia requisitado o mandado de busca e apreensão à Justiça com base em informações dadas pelo vendedor Jefferson Festa Perez. Segundo o delegado, foi em Jundiaí que Perez obteve o disquete da Receita.
Hoje, três técnicos da Receita acompanharam no IC os trabalhos dos peritos referentes aos disquetes apreendidos com Festa. O laudo deve ficar pronto em 20 dias e apontará a origem dos dados, ou seja, se eles saíram realmente de dentro da Receita e das empresas de telefonia fixa. "Quero concluir o mais rapidamente possível as investigações", disse o delegado.
Em janeiro, Festa Perez foi surpreendido pela polícia oferecendo, por meio de anúncios de jornal, disquetes com as informações da Receita e com os cadastros telefônicos completos da Telemar - só os dados relativos ao Rio, ou seja, 4 milhões de assinantes - e da Telefônica (8 milhões de assinantes), até mesmo os dados de assinantes que não constam em lista.
No disquete da Receita é possível saber quem são os maiores contribuintes do País e até a renda bruta do presidente Fernando Henrique Cardoso, bem como seu endereço e telefone particulares, assim como os de políticos, artistas, juízes e delegados. Festa foi apanhado pela polícia quando entregava os disquetes para investigadores que se fizeram passar por compradores dos disquetes. O vendedor estava cobrando R$ 4 mil pelos dados da Receita e R$ 6 mil pelos das telefônicas.
Ao depor, ele disse que aquela era a primeira vez que vendia esses cadastros para que fossem usados por interessados em dados para fazer vendas por mala direta. Além dos disquetes que estavam com Festa, a polícia também apreendeu computadores e disquetes na empresa do comerciante José Christiano Pereira Luís Junior, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. Junior foi apontado por Festa como sendo a pessoa que lhe entregou as informações da Telefônica. O comerciante negou a acusação ao depor no 5.º DP. O material apreendido na sua empresa também foi enviado ao IC. Polícia Federal - Uma equipe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie) da Superintendência de São Paulo da Polícia Federal (PF) já está investigando o vazamento de dados da Receita. O interesse da PF é saber se foi cometido algum crime que tenha como vítima a União.
Além da PF, uma equipe do setor de Inteligência da Receita está acompanhando as apurações feitas pela polícia paulista. A Receita não descarta a possibilidade de o vazamento de informações ter ocorrido dentro do órgão e informou que tomou providência para aumentar a segurança de seus bancos de dados.


