Rio, 29 (AE) - Policiais da Divisão Anti-Sequestro (DAS) da Polícia Civil libertaram hoje Patrícia Torres de Abreu, de 28 anos, diretora do Colégio Plínio Leite, em São Gonçalo, na Grande Rio. Ela ficou 21 horas em poder de sequestradores. Três homens e uma mulher - a autora intelectual do crime, segundo a polícia - foram presos e estão na carceragem da DAS, no Leblon, no Rio. Foi o sétimo sequestro ocorrido no Estado em 99.
Patrícia foi dominada quando saía de casa, no bairro Barreto, em Niterói, na manhã de segunda-feira, por três homens armados. O carro da professora, um Santana, foi interceptado por um Fiat Uno, dirigido pelo guarda municipal Edson Ambrósio da Silva, de 36 anos. Gilberto da Silva Barbosa, de 31, e Sebastião Paula da Silva, de 39, seguiram no Santana de Patrícia, abandonado em Copacabana, na zona sul carioca.
Os sequestradores entraram em contato com a família da professora, exigindo R$ 400 mil reais de resgate. A polícia rastreou as chamadas feitas de telefones públicos e prendeu, em São Gonçalo, Ana Maria de Araújo, de 36 anos, além de Barbosa e Sebastião Silva. Eles contaram que o cativeiro de Patrícia era um motel da região. Quarenta policiais revistaram cerca de 20 motéis de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí e encontraram a professora, às 5 horas de hoje, no Motel Moulin Rouge, em São Gonçalo. O guarda Edson Ambrósio da Silva estava no quarto com a professora e foi preso em flagrante.
A polícia recuperou dois revólveres calibre 38 e uma carteira da polícia, roubados do policial civil aposentado Paulo Roberto Neves Silva, de 41 anos, e apreendeu duas pistolas 9 milímetros e a identidade da ex-funcionária do colégio Plínio Leite Renata Rodrigues da Silva, de 34 anos, que está foragida. "Acredito que ela tenha fornecido todos os detalhes para o sequestro", afirmou o diretor da DAS, Fernando de Moraes. Ele investiga a possibilidade de a quadrilha estar ligada ao grupo de Dundi, traficante conhecido em Niterói, que fugiu em abril da 26ª Delegacia Policial (Encantado, zona norte).
"Sinto-me cidadão de um país civilizado", disse o pai de Patrícia, o professor João de Abreu, depois que a filha foi libertada. Ele afirmou que a família não teria como pagar o resgate. A professora não quis explicar o motivo de Renata ter sido demitida, mas afirmou que as duas tinham boa relação. "Não esperava que ela tivesse participado disso, só soube quando cheguei à DAS", disse Patrícia. Ela não quis comentar o sequestro.

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