Curitiba - O clima ficou tenso ontem pela manhã na Fazenda Curi, no distrito do Guará, em Guarapuava. De acordo com a Polícia Militar, uma equipe composta de policiais militares e civis negociou a libertação de 13 pessoas que estariam sendo mantidas como reféns por um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo a PM, os reféns seriam funcionários de uma ervateira e filhos deles. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que a ervateira seria a proprietária da fazenda.
De acordo com a polícia, os sem-terra estariam mantendo as 13 pessoas em cárcere privado desde a tarde de quarta-feira. Segundo os policiais militares, informações levantadas no local apontaram que o objetivo do grupo seria extorquir dinheiro dos proprietários da fazenda. Após a liberação dos supostos reféns, os líderes dos sem-terra foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil para prestar esclarecimentos.
O delegado-chefe na região de Guarapuava, Miguel Stadler, informou que foi aberto inquérito. Segundo ele, há ''indícios claros'' de prática dos crimes de roubo e cárcere privado por parte dos sem-terra e suspeita de extorsão mediante sequestro. ''Agora queremos identificar e qualificar os componentes do acampamento que participaram da ação'', afirmou Stadler.
Entretanto, o MST alegou que a polícia ''faltou com a verdade'' na divulgação de informações sobre o caso. ''Ninguém foi mantido refém. Não houve cárcere privado, de forma alguma'', disse José Acir, representante do MST na região de Guarapuava.
''O que aconteceu, na verdade, é que na tarde de quarta-feira as famílias do movimento que estão acampadas na fazenda perceberam que havia um grupo de pessoas roubando erva mate da propriedade. Os sem-terra foram ao encontro desses funcionários e pediram para que eles parassem a extração até que algum representante da ervateira e a polícia fossem ao local. As famílias queriam que a empresa apresentasse um documento para comprovar que havia autorização para extrair erva-mate'', explicou Acir.
Segundo o representante, nem a polícia nem diretores da ervateira foram ao local para conversar com os sem-terra, e os funcionários da empresa deixaram a área no final da tarde de quarta-feira. Ontem, conforme a versão do MST, policiais foram à propriedade. ''Eles apenas conversaram, queriam saber o que tinha acontecido. Não houve nenhum incidente. E os policiais disseram que também iriam às casas dos funcionários da ervateira'', disse Acir.
''Esta versão divulgada pela polícia é uma tentativa de manchar a imagem do movimento e não condiz com a verdade'', afirmou o representante. De acordo com Acir, aproximadamente 250 famílias sem-terra ocuparam a fazenda em novembro do ano passado. O acampamento está montado numa área que seria de propriedade da Igreja Católica. Segundo Acir, a fazenda será desapropriada em breve para fins de reforma agrária.

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