Polícia já tem suspeito na morte de sem-terra; MST teme por novos confrontos
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2000
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 03 (AE) - A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra ((MST) teme por novo confronto entre pistoleiros e sem-terra, a exemplo do que ocorreu ontem em Atalaia, agora no município de Maragogi, a 140 quilômetros de Maceió. O receio dos sem-terra foi externado hoje por Tony Amâncio Salusiano, da coordenação do MST em Alagoas, durante o enterro do sem-terra José Elenilson da Silva, assassinado ontem (02), no acampamento montado na Fazenda São Pedro, em Atalaia, a 49 quilômetros da capital.
Hoje, o delegado de Atalaia, Dalmo Lima Lopes, disse que já tem um suspeito do crime na Fazenda São Pedro. O suspeito, de acordo com o delegado, é José Luciano Filho, que é filho do administrador da propriedade, José Luciano da Silva. Todos estão foragidos, de acordo com o delegado. Os sem-terra acusam o dono da fazenda, Pedro Duarte, conhecido por "Pedro Charque", de ser o mandante do crime. A polícia diz que ele será um dos primeiros a depor no inquérito instaurado para apurar o caso.
A polícia também apura as responsabilidades pelos estragos provocados pelos sem-terra. Revoltados com a morte do companheiro, eles destruíram a casa grande, queimaram o canavial
mataram animais e destruíram um caminhão e um trator. Enterro - "O clima é de guerra; vai haver reação", ameaçavam os sem-terra que participaram do enterro de José Elenilson, assassinado com tiro de espingarda calibre 12, supostamente por pistoleiros contratados pelo proprietário da Fazenda São Pedro. O sem-terra foi sepultado à tarde no cemitério do povoado de Porangaba, em Atalaia. Ele era casado e pai de dois filhos; sua mulher está grávida de seis meses. Confronto - Em Maragogi, localizada no litoral norte de Alagoas, segundo o coordenador do MST, 130 famílias estão acampadas às margens da pista, perto das fazendas Buenos Aires e Mundo Novo, "enquanto os proprietários mantêm dezenas de jagunços com armas de fogo e com autorização para rechaçar à bala qualquer tentativa de invasão". De acordo com o MST, as duas fazendas fazendas teriam sido consideradas improdutivas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


