Polícia já sabia que ex-deputado estava em Brasília
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sábado, 27 de novembro de 1999
por Félix Alberto Lima, especial para a Agência Estado 
São Luís, MA, 27 (AE) - O gerente de Justiça e Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, disse hoje que a polícia já sabia que o ex-deputado José Gerardo de Abreu (sem partido), foragido desde o dia 10 de novembro, estava em Brasília. Segundo ele, a prisão poderia ocorrer a qualquer momento. "Estávamos fechando o cerco junto com a Polícia Federal." Os delegados Paulo Márcio Tavares e Afonso Júnior desembarcaram hoje em Brasília com quatro mandados de prisão contra José Gerardo.
O ex-deputado tem dois pedidos de prisão preventiva na Justiça Estadual pelo seu envolvimento nos assassinatos do ex-delegado Stênio Mendonça e do cobrador Carlindo Sousa Cunha. Há ainda um pedido de prisão temporária na Justiça Federal, por envolvimento com o crime organizado, e outro na Justiça Comum, por suspeita de ser o mandante de pelo menos 10 assassinatos nos últimos 15 anos em São Luís.
Dias antes de ter o seu mandato cassado por unanimidade na Assembléia Legislativa (AL) do Maranhão, Gerardo havia declarado que preferia a morte à prisão. "Eu vejo a tentativa de suicídio com tristeza, porque queremos que o deputado responda por todos os crimes na Justiça", afirmou o deputado Jomar Fernandes (PT), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
Denúncias - Em 118 sessões realizadas este ano pela AL, José Gerardo faltou a 97, das quais 69 foram justificadas por atestados médicos. Gerardo é cearense e chegou ao Maranhão na década de 70. Em pouco tempo abriu uma empresa de transporte coletivo com apenas dois ônibus. Dez anos depois já era dono de 70% da frota de ônibus de São Luís. Nos 17 anos em que exerceu o mandato de deputado estadual, Gerardo apresentou 34 projetos de lei. As principais denúncias contra ele foram feitas pelo motorista e segurança Jorge Meres à CPI do Narcotráfico.
Os primeiros indícios da existência de uma organização criminosa no Estado são de 1995, quando a polícia localizou uma carreta com carga roubada na residência do deputado estadual Francisco Caíca (PSD). A casa era de propriedade do empresário Joaquim Laurixto e estava cedida para Gerardo, que a emprestou para Caíca. O delegado Stênio Mendonça, responsável pela investigação do roubo da carreta, foi assassinado dois anos depois por pistoleiros comandados por Humberto Gomes de Oliveira
o Bel. Os pistoleiros foram presos e, 12 dias depois, também foram assassinados numa suposta operação de queima de arquivo.
Joaquim Laurixto chegou a ser preso por suspeita de envolvimento na morte do delegado, mas foi beneficiado pelo habeas corpus assinado, na madrugada do mesmo dia da prisão, pelo juiz Luís de França Belchior. Laurixto voltou a ser indiciado pela polícia, mas encontra-se foragido há dois anos.
Conexão - As primeiras denúncias de haver uma conexão entre a morte do delegado Mendonça e o narcotráfico comandado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido), do Acre, foram feitas pelo motorista e segurança Jorge Meres, preso em maio deste ano no interior do Maranhão por roubo de carga.
Meres era o motorista da carreta encontrada há quatro anos na casa do deputado Caíca. O motorista apontou Gerardo como o líder da organização no Estado, auxiliado pelo deputado Caíca e pelo ex-deputado Hemetério Weba. O inquérito policial foi instaurado para investigar as denúncias e a Gerência de Justiça e Segurança Pública tem atualmente 16 delegados trabalhando nas investigações.


