São Paulo - O delegado Calixto Calil Filho e a delegada-assistente Renata Helena Pontes, ambos do 9º DP (Carandiru), em São Paulo, disseram ontem que têm dados para reconstruir 70% dos fatos ocorridos na noite do último dia 29 de março, quando Isabella Oliveira Nardoni, 5, foi morta. O pai da menina, Alexandre Alves Nardoni, 29, e a madrasta dela, Anna Carolina Trotta Jatobá, 24, estão presos suspeitos de envolvimento no crime.
Segundo a delegada, já se sabe ''70% referente à dinâmica: ao ferimento, onde aconteceu, enfim, a tudo que foi feito lá dentro até o final, o óbito''. Para ela, os 30% restantes, a serem determinados pela perícia, não devem trazer surpresas.
Nesta semana, ainda segundo a delegada, mais 19 pessoas -entre familiares, vizinhos e pessoas próximas à família- devem prestar depoimento. Outras também serão ouvidas, porém ainda não foram intimadas.
Mais cedo, Pontes havia afirmado que acreditava ter só 50% da reconstituição determinada. Depois, reviu a posição. ''É um caso realmente complicado. Nós tivemos materiais de investigação de ontem, eu por um lado e minha delegada-assistente por outro. Terminei de fazer uma reunião, e eu tinha uma parte da coisa. Juntamos os dois quebra-cabeças, as duas partes do jogo. Sentei com ela agora e fechamos em 70%'', afirmou o delegado.
Habeas corpus
O pai e a madrasta de Isabella ainda esperam pela decisão do desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, da 4 Câmara Criminal do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, sobre o pedido de habeas corpus feito anteontem. O casal foi preso na última quinta-feira suspeito de envolvimento na morte de Isabella.
Não há previsão para a decisão, mas o documento inclui um pedido de liminar, ou seja, um pedido para que a decisão tenha aplicação imediata, anterior à avaliação do mérito do caso.
O casal foi preso sob o argumento de que, com eles afastados, os peritos têm acesso irrestrito da perícia ao local do crime -eles retornaram ao menos duas vezes - e as testemunhas permanecem isentas.
No pedido de habeas corpus, a defesa dos dois argumenta que eles têm endereço fixo, não possuem antecedentes criminais e, ao contrário do que afirmam a Polícia Civil e o Ministério Público, não oferecem risco às investigações. Nardoni e Jatobá estão presos por força de um mandado de prisão temporária válido por 30 dias (prorrogáveis por mais 30 dias).
O promotor Francisco José Cembranelli, que acompanha o caso, pediu cautela em relação à investigação, ontem. Trata-se de uma mudança de postura em relação a sexta-feira passada, quando ele concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que as versões apresentadas por Nardoni e Jatobá para a noite do crime são ''fantasiosas''. Ontem, Cembranelli afirmou não descartar nenhuma hipótese, inclusive a de que uma terceira pessoa tenha cometido o crime, como afirma a defesa de Nardoni e Jatobá.

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