Polícia já admite o envolvimento de parentes no sequestro de Wellington de Camargo
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Edson Luiz, enviado especial 
Goiânia, 19 (AE) - A polícia de Goiás admite o envolvimento de parentes no sequestro do compositor Wellington José de Camargo, irmão dos integrantes da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Segundo fontes da Secretaria de Segurança Pública do Estado, as negociações já estão avançadas e o sequestro, que já dura 95 dias, poderá ser resolvido em breve. A família continua oferecendo US$ 300 mil, mas os sequestradores mantêm o valor do resgate em US$ 2 milhões.
A participação de parentes de Zezé di Camargo e Luciano no sequestro não é mais rejeitada pela família. Como a polícia, os dois cantores admitem que possa haver uma pessoa ligada à família envolvida no caso. "Mas não é de primeiro grau", chegou a comentar Luciano, ontem na audiência com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Um delegado que participa das investigações informou que o parente não deve fazer parte da cúpula de sequestradores, mas pode ter dado informações sobre Wellington antes e durante o sequestro.
Os policiais também sabem que não estão lidando com um grupo de sequestradores amadores. A forma de agir do bando surpreendeu os agentes do grupo Anti-Sequestro (GAS), que já seguiram mais de mil pistas, cerca de 200 cativeiros, mas nada encontraram que pudesse levar aos sequestradores. Atualmente cerca de 120 homens do GAS, delegacias especializadas e Polícia Militar estão trabalhando diretamente no caso, além da Polícia Federal, que faz o trabalho de inteligência.
"Não são pessoas de Goiás que estão participando do sequestro", afirma uma fonte da secretaria de Segurança Pública. "Pela forma de agir, temos certeza de que é um grupo preparado", acrescenta a fonte. Além disso, a polícia estranhou o valor do resgate pedido pelo bando, inicialmente US$ 5 milhões
uma quantia alta para os padrões do Estado. Contato - O último contato dos sequestradores com a família aconteceu na quarta-feira, quando foi discutido o valor do resgate. A volta dos contatos animaram Emanuel Camargo, irmão de Wellington Camargo, e responsável pelas negociações. O secretário de segurança do Estado, Demóstenes Xavier Torres também estava satisfeito com os novos contatos. "Isso mostra que os sequestradores estão a fim de negociar", afirmou Torres.
A polícia ainda não encontrou qualquer pista da mulher que deixou um dos pacotes com recortes de jornais referentes ao sequestro, na frente de um clube, próximo da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic). O retrato falado foi divulgado na quinta-feira, mas não foi localizado o Tempra usado pela mulher. Ela é, até agora, a única pista segura da polícia para tentar chegar ao cativeiro de Wellington Carmargo.


