Jerusalém, 30 (AE) - A polícia israelense intensificou nesta quinta-feira (30) a segurança nas ruas da capital do país e está detendo pessoas que possam cometer atos violentos amanhã, na chegada do ano 2000. Os alvos principais são cristãos ligados a seitas apocalípticas, que acreditam na chegada de Jesus Cristo na madrugada do dia 1º de janeiro.
Há cerca de uma semana, os vendedores muçulmanos e moradores da Cidade Velha de Jerusalém (lugar de maior concentração de turistas e fiéis) notaram que muitos desses "profetas do milênio" mudaram. Trocaram a batina (geralmente branca) por roupas comuns e deixaram de pregar a chegada de Jesus abertamente.
"Temos de parecer pessoas comuns", disse Bobby Bible, de 60 anos, um norte-americano que se apresenta como profeta e foi preso hoje na Igreja do Convento da Anunciação, no Monte das Oliveiras.
Além de Bobby, foi detido um judeu que "recebeu Deus" e começou a despir-se na Cidade Velha e um outro homem, cuja identidade está sendo mantida em sigilo, que foi encontrado com uma metralhadora nas proximidades da Mesquita de Omar, onde são esperadas amanhã 400.000 pessoas para a prece do Ramadã, o mês santo muçulmano. A polícia divulgou apenas que ele mora na região norte do país (onde está a região de Golan, objeto de negociações no acordo de paz entre Israel e Síria).
A porta-voz da polícia de Jerusalém, Linda Menuhim, disse que, no caso de Bobby, os soldados foram chamados pelos religiosos que cuidam da Igreja da Anunciação.
Suspeita - Linda informou que o missionário teria pedido uma chave para abrir a porta que dá acesso ao telhado da igreja. Desconfiado da atitude de Bobby, que está hospedado há cerca de dez dias em um hotel ao lado do convento, o padre teria, segundo Linda, chamado a polícia.
"O padre ficou com medo do que ele poderia fazer no telhado"
disse Linda. Ela ressalta que a polícia só pode deter pessoas que estejam envolvidas em atividades suspeitas. "Ninguém está sendo detido apenas por ter uma cara estranha e se vestir de profeta", disse ela.
O psiquiatra Yair Barel, especialista na doença conhecida por "síndrome de Jersalém" (sensação de ser uma figura bíblica, ter poderes divinos ou conhecer a verdade sobre Deus), disse que um dos sintomas mais comuns a todas às vítimas é a atração por percorrer sozinhas a trilha de Jesus. Os policiais, assim como os guias de turismo, são treinados para reconhecer os sintomas da doença e encaminhar as vítimas para o hospital.
Evangélicos - Líderes das comunidades evangélicas tradicionais
como batistas e presbiterianos, reuniram-se hoje de manhã, em Belém, para fazer orações de agradecimento a Jesus Cristo. Salim Munayr, diretor acadêmico da Academia Bíblica de Belém, disse que "é preciso ter muito cuidado com todas essas pessoas que se dizem profetas e anunciam a chegada do Senhor".
Munayr afirmou que este é um momento delicado para os 15 milhões de cristãos no Oriente Médio. "Estamos muito isolados"
diz ele. Em Israel, existem cerca de 130.000 cristãos, sendo que 40% pertencem à Igreja Ortodoxa. Já nos territorios palestinos, eles são cerca de 50.000.
Para Munayr, esses missionários apocalípticos, apesar de serem pouco numerosos, são os que mais chamam a atenção e acabam denegrindo a imagem dos cristãos na Terra Santa, onde a maior parte da população é composta por judeus e muçulmanos.
Salim Munayr explicou que, desde o início das comemorações do ano 2000, as relações entre católicos e judeus ortodoxos ficou "difícil".
Moradores de Mea Shearim (o bairro judeu ultra-ortodoxo) chegaram a distribuir panfletos dizendo que Jesus Cristo é um falso profeta.

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