Polícia irá indiciar donos das fazendas desocupadas
Vânia Moreira
De Umuarama
A 8ª Subdivisão Policial de Nova Londrina instaurou inquérito para apurar a expulsão de sem-terra por pistoleiros em duas fazendas de Marilena (79 quilômetros a noroeste de Paranavaí). O delegado-chefe de Nova Londrina, Luiz Norberto Canhoto, informou ontem que vai indiciar os donos das duas fazendas desocupadas e lideranças da União Democrática Ruralista (UDR).
Ontem, chegou a Nova Londrina uma equipe do Centro de Operações Especiais da Polícia (Cope) que vai ajudar nas investigações. A Corregedoria da Polícia Civil também designou o delegado especial Jorge César Ajuz para acompanhar o inquérito.
A Fazenda Santa Rosa foi desocupada domingo de madrugada por um grupo de homens armados e encapuzados. A propriedade havia sido invadida no dia anterior por 70 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os pistoleiros chegaram atirando, queimaram carros e outros pertences dos sem-terra. A sem-terra Francisca Pereira dos Santos, 56 anos, foi baleada nas costas e está internada na Santa Casa de Paranavaí.
Terça-feira à tarde, outra milícia organizada pelos fazendeiros expulsou 16 famílias da Fazenda Novo Horizonte. Segundo Canhoto, o dono da fazenda Santa Rosa, Alvin Zoller, e da Novo Horizonte, Hokio Kondo, serão indiciados pela ação violenta. O delegado também vai indiciar o presidente da UDR no Paraná, Marcos Menezes Prochet e os coordenadores da entidade em Paranavaí, Eduardo Baggio e Tarcísio Barbosa de Souza. De acordo com Canhoto, todos poderão ser indiciados por incitação ao crime, exercício arbitrário das próprias razões, formação de quadrilha e outros que venham a ser apurados durante as investigações.
A Polícia vai tentar identificar os pistoleiros que participaram das duas ações e investigar eventual participação de policiais. Os sem-terra afirmaram ter visto o delegado de Marilena, Daniel Alceu Mazotti, entre os pistoleiros. Ajuz informou ontem que isto está sendo investigado, mas até agora não há nenhuma prova de que o delegado tenha saído de casa naquela madrugada. Os vizinhos não o viram sair e o padeiro afirma ter entregue o pão pessoalmente a Mazotti por volta das 6 horas da manhã, horário em que estava sendo feita a desocupação da fazenda, adiantou o delegado.
O ministro da Reforma Agrária e Política Fundiária, Raul Jungmann, se manifestou ontem sobre o caso, através de sua assessoria. Esse crime contra os direitos humanos não pode ficar impune. Apenas o Estado, sempre de acordo com a lei, pode promover reintegração de posse. Confio que a Justiça do Paraná porá na cadeia esses criminosos, disse ele.
O coordenador da União Democrática Ruralista (UDR), em Paranavaí, Tarcísio Barbosa de Souza, contestou ontem que pistoleiros participaram da desocupação da Fazenda Novo Horizonte, na tarde de terça-feira em Marilena (79 quilômetros a noroeste de Paranavaí). Barbosa alega que a desocupação foi realizada por proprietários, que fizeram um ato de apoio na Fazenda Santa Rosa. Ele alega que além de ruralistas, vários políticos e dirigentes de sindicatos rurais da região participaram da retirada dos sem-terra da Novo Horizonte.
A UDR alega ainda que a informação passada pela liderança do MST, de que a propriedade é improdutiva, não procede. Barbosa alega que um perito federal classificou a área como produtiva, e a questão está sendo analisada na Justiça. (Colaborou Marcos Zanatta)





