Polícia investiga tráfico de órgãos no Salgado Filho
Agência Estado
Do Rio
A Secretaria Municipal de Saúde e a Polícia Fluminense começaram a investigar ontem suspeita de tráfico de órgãos no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, na zona norte, onde trabalhava o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro, acusado de matar 131 pacientes na unidade aplicando injeções letais para receber propinas de funerárias.
O número excessivo de doações chamou a atenção da polícia: em 1998, o Salgado Filho contabilizou 104 doações, número 20 vezes maior que o Hospital Souza Aguiar, que registra um número de óbito maior. Desde a prisão de Izidoro há quatro meses, a polícia vem recebendo várias denúncias da suposto tráfico no Salgado Filho e já ouviu, pelo menos, 600 parentes de vítimas que tiveram seus órgãos, principalmente as córneas, retirados ilegalmente.
O fato levou uma equipe de detetives da Divisão de Homícidos da Polícia Civil a pesquisar as fichas de doações do Salgado Filho. Essa semana, mais um caso foi denunciado à polícia: o do servente Arlindo Nunes Neto. De acordo com a família de Neto, ele foi internado no Salgado Filho, após ter sido atropelado e dois dias depois morreu. No velório, parentes teriam observado que as córneas do servente haviam sido retiradas.
A direção do Salgado Filho informou que também vai apurar a denúncia dos parentes do servente e abriu sindicância. Além das investigações da secretaria do município e da polícia, uma comissão de procuradores do município está analisando as fichas de doações e mortes ocorridas no Salgado Filho nos últimos dois anos. Existe suspeita de que Izidoro estaria envolvido na venda de órgãos na unidade.





