Polícia investiga tráfico de bebês em Foz
Ney SouzaIlegalOs chineses Chon Yong Chuan e Li Lian Yuan vivem ilegalmente no País A Polícia Militar de Foz do Iguaçu prendeu ontem à tarde, seis pessoas, entre elas dois chineses, que estão sendo acusados de tráfico de bebês. O grupo foi preso no Terminal de Transporte Urbano (TTU) quando acertava os últimos detalhes para que dois bebês fossem registrados pelos chineses.
A polícia chegou ao grupo depois de uma denúncia anônima pelo telefone 190. Foram presas as mães dos bebês, Rosa de Souza e Elizabete Lourenço, Clorivaldo de Souza, Romancito Marafão e os chineses Chon Yong Chuan e Li Lian Yuan. Segundo a polícia, os chineses queriam registrar as crianças para poderem regularizar a situação no Brasil, já que eles vivem no País de maneira ilegal. Com o registro de um filho no Brasil, os chineses poderiam obter carteira permanente de identidade.
A polícia também informou que Marafão, que trabalha como laranja para o irmão de Yuan, seria o responsável pelo plano. Ele teria feito contatos com Souza, que informou que sua irmã tinha um bebê recém-nascido.
Segundo Marafão, os bebês não seriam vendidos, mas apenas as certidões de nascimento. Os chineses me pediram para arranjar os bebês. Nunca imaginei que isso fosse dar em confusão já que é primeira vez que entro nesse tipo de negócio, disse.
Os chineses afirmaram desconhecer o caso e as pessoas envolvidas. Os dois têm negócios em Ciudad del Este, no Paraguai, mas moram em Foz do Iguaçu. A Polícia Federal tem feito constantes blitze para coibir a permanência de estrangeiros que vivem de maneira ilegal em Foz.
Rosa de Souza e o irmão dela Clorivaldo de Souza, que trabalham como bóias-frias no Paraguai, contaram que receberiam R$ 1,7 mil pela venda da certidão de nascimento do bebê. Nós somos pobres e quando o Romancito chegou falando que iríamos receber todo esse dinheiro, a gente aceitou imediatamente sem pensar no que poderia acontecer, afirmou Clorivaldo.
Já a mãe do outro bebê, Elizabete Lourenço negou que tivesse qualquer envolvimento com a venda de certidões.Eu estava com eles quando a polícia chegou. Por isso vim parar na delegacia. Não tenho nada com essa história, alegou.
Mas a irmã dela, a dona-de-casa Regina dos Santos, disse ontem à polícia que Elizabete já teria extraviado no Paraguai um bebê de oito meses. Ela já vendeu outro filho para um casal de Assunção, no Paraguai. O segundo filho ela abandonou na casa de um parente nosso. Eu tenho certeza que ela está envolvida nesta história. Ontem, ela saiu de casa falando que iria para o Paraguai para dar o bebê, afirmou.
O delegado da 6ª Subdivisão Policial de Foz, Altino Guber, disse que ainda não sabe por qual tipo de crime o grupo vai responder judicialmente. É difícil saber em que crime eles serão enquadrados. Tudo indica que apenas a certidão seria vendida para regularizar a situação dos chineses. Mas também existe o depoimento da irmã de uma das mães, que afirma que ela iria vender o bebê. Neste caso seria tráfico de bebês, afirmou.
Os dois bebês estão sob responsabilidade do Conselho Tutelar do Menor e do Adolescente. Os chineses foram encaminhados para a Delegacia da Polícia Federal.





