São Paulo, 30 (AE) - A Polícia Civil começa a investigar um suposto esquema de propina na Administração Regional de Itaquera. Hoje, foram ouvidos três fiscais acusados de tentar extorquir o comerciante W.P.S. Em depoimento prestado à polícia no dia 22, W. afirmou que, em junho de 1997, teria sido extorquido em R$ 5 mil por funcionários da regional. Na época, ele chegou a pagar o valor em três cheques, cujas cópias estão em poder da polícia.
Os fiscais Luiz Gonzaga da Costa, Jairo Kanashiro e Maria Cristina Scomparini negam ter participado do esquema. Além deles, estariam envolvidos a então supervisora de Uso e Ocupação de Solo da regional, Dinorah Braga, e o fiscal Albano Pires. Ambos estão foragidos da polícia.
Na época, o comerciante estava construindo uma casa na Rua Tomás álvares de Souza, em Itaquera. Ele teria sido intimado por Cristina e Pires a comparecer à regional pois havia irregularidades na obra. Lá, Dinorah teria pedido R$ 5 mil para que a casa não fosse embargada. Para evitar problemas, o comerciante disse que pagou a propina.
Tempos depois, ele recebeu a visita de dois outros fiscais, Gonzaga e Kanashiro, que teriam pedido mais R$ 10 mil. Novamente W. foi à regional e o valor foi confirmado por Dinorah. Desta vez, porém, a conversa foi gravada.
Hoje, Cristina se contradisse quando negou que sabia do controle da regional pelo vereador Dito Salim (PPB), pois lembrou que Dinorah e Pires foram transferidos para a AR-Itaquera por influência do parlamentar. Os três foram indiciados por concussão e formação de quadrilha. Penha - O ex-fiscal Fernando Garcia Lepper, preso ontem, negou sua participação em esquema de propina na regional da Penha. Lepper estava sendo procurado pela polícia havia 40 dias e é acusado de cobrar propina para a regularização de obras. Segundo o promotor Roberto Porto, do Ministério Público Estadual, há suspeita de que para um planta ser liberada fossem cobrados até R$ 15 mil.
A polícia também ouviu o agente de apreensão Sérgio de Jesus Cardoso, da AR-São Miguel Paulista. Ele é acusado de ter extorquido ambulantes na região. Segundo a polícia, a propina seria de R$ 10 semanais por barraca.
O depoimento mais esperado do dia, o do ex-fiscal Sílvio Rocha, só começaria no início da noite. Preso ontem, Rocha é acusado de ter cobrado propinas de bancas de frutas na Penha. Além disso, ele está envolvido em uma história segundo a qual sua filha Silvana teria tido um caso amoroso com o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), quando ela era menor. No início da tarde, Rocha, que era considerado "intocável" na regional da Penha havia se recusado a falar, mas mudou de idéia após conversa com seu advogado.

mockup