Polícia investiga se corpo carbonizado é de Miss Altônia
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sexta-feira, 23 de março de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
A Polícia Civil investiga se um dos dois corpos carbonizados encontrados nesta quinta-feira (23) na estrada rural de Altônia, próxima à rodovia PR-490, pode ser da atual Miss Altônia, Bruna Zucco, 21 anos. A estudante de psicologia da Unipar de Umuarama está desaparecida desde a noite de quarta-feira. Bruna utilizava um ônibus para se deslocar de Altônia para Umuarama para cursar a faculdade, mas desapareceu logo após retornar a Altônia nesse transporte de estudantes universitários.
A avó da jovem, Ragda Segantin, relata que sua nora só soube que Zucco estava desaparecida quando foi acordá-la pela manhã. "Ela não tinha dormido em casa", contou. Segantin nutre esperança de que o corpo encontrado não seja o de sua neta. "Eu estive no local em que o corpo foi encontrado quando o IML (Instituto Médico-legal) chegou. Minha neta sempre andava com uma correntinha de ouro que não foi achada onde acharam esses corpos. O ouro não derrete facilmente. A aliança de ouro do outro rapaz ainda estava lá", apontou.
Segantin ressalta que sua neta é uma pessoa incrível. "Pode perguntar para qualquer um. Ela faz psicologia, é muito estudiosa e muito educada. Ela sempre sorri para todo mundo. Não é uma pessoa fechada. Não é porque sou avó, mas as pessoas falam dela assim. Ela não tem mal nenhum no coração. Não anda com tranqueira", ressaltou. "Vamos achá-la onde ela estiver. Deus está providenciando. Está muito difícil aqui. A família está sofrendo demais", relatou.
O outro corpo carbonizado pode ser de um empresário que também está desaparecido desde a noite de quarta-feira. O delegado Izaias Cordeiro de Lima ressaltou que surgiu a suspeita de que os dois corpos carbonizados podem ser de Zucco e do empresário, porque foram encontradas evidências ao examinar o material encontrado na carroceria do Fiat Strada em que estavam os corpos.
"Em relação à Bruna encontramos uma espiral de caderno e o fato dela ser estudante universitária indicaria que ela poderia estar com um caderno desses. Também encontramos resquícios de um iPhone, mesmo modelo de celular que ela utilizava. Foi achado também vestígios de uma bolsa escolar, que foi identificada por parentes como semelhante a que ela utilizava no dia do desaparecimento", apontou o delegado.
"Uma das hipóteses que tem ganhado força é que a moça tenha sido capturada porque presenciou alguma cena e foi morta por queima de arquivo", explicou. Sobre a conclusão de que o outro corpo pertence a um empresário, o delegado apontou que o veículo incendiado foi reconhecido pela placa e o irmão dele reconheceu a caixa de ferramentas que estava dentro do veículo.
A reportagem tentou contato com a família do empresário, mas não conseguiu. A esposa do empresário dono da Fiat Strada publicou em sua página do Facebook a seguinte mensagem: "Meu luto vai para esses momentos, uma vida que poderia ser linda e perfeita em família se encerra por escolhas mal feitas. Meu Deus é meu pai, e ele sabe de tudo que acontece na minha vida e nos meus tombos nunca me desamparou, é assim vai ser. Apesar de tudo, ele sempre foi um bom esposo e um bom pai, mas a vida é cheia de caminhos, e só o caminho de Deus é certo. Foi eterno enquanto durou, isso eu tenho consciência. Luto pela minha família. Luto pelo meu filho. Eu fiz de tudo para ele ter uma família estruturada mas, a vida não depende só de nós. O Dih é uma pessoa muito boa, um coração enorme. Que Deus tenha piedade dele como teve com Rei Davi".
Na manhã desta sexta-feira (23) os familiares de Zucco e do empresário foram ao IML (Instituto Médico-legal) de Umuarama para a coleta de material genético. Essas amostras serão confrontadas com o material recolhido dos dois corpos carbonizados e enviado para ser periciado em Curitiba. "Não há prazo específico para que sejam apresentados esses resultados, porque depende da demanda do laboratório. Pode demorar de 30 a 60 dias", disse o delegado.
Ele afirmou que uma das hipóteses mais fortes é de que o crime foi um acerto de contas, possivelmente entre contrabandistas, já que aconteceram episódios semelhantes, em que veículos foram incendiados e os corpos foram carbonizados. "Nesses casos os episódios foram relacionados com contrabando", apontou.


