Policia investiga origem de ossos
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quarta-feira, 04 de setembro de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - O gerente da Vigilância Sanitária de Londrina, Rogério Lampe, garantiu que as vistorias em clínicas e consultórios odontológicos serão intensificadas para tentar identificar quem estava adquirindo o material do Banco de Ossos clandestino, que foi fechado na terça-feira, no Jardim Cláudia (zona sul de Londrina). A origem do material também será apurada. A delegada do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), Sâmia Cristina Coses, explicou que há indícios de envolvimento de profissionais de saúde, que atuam em clínicas ou hospitais, e que podem ser fornecedores do material.
"Nós não descartamos que esses ossos tenham origem de funerárias, muito embora tenham sido encontradas cabeças de fêmur que são retiradas de pessoas vivas. Para isso acontecer a família precisa autorizar que isso aconteça. É como um transplante de órgãos. Temos algumas pistas da origem dos ossos, mas nada que podemos divulgar", disse a delegada.
Durante a operação Evora (em alusão à capela de ossos localizada em Portugal), foram presos preventivamente os irmãos Kléber, de 42 anos, e Carlo Keith Barroso Cavalca, de 37. Os ossos processados provavelmente eram utilizados em enxertos de implantes dentários, segundo a investigação desencadeada pela denúncia da própria Vigilância Sanitária e executada pelo Nucrisa. Desde o início das investigações, em março deste ano, já foram vistoriados cerca de 300 consultórios odontológicos, mas em nenhum deles foi localizado o material.
Lampe ressaltou que todo dentista que utiliza material de um banco de ossos precisa estar cadastrado no Sistema Nacional de Transplantes, do Ministério da Saúde, e esse material precisa ter o registro de rastreabilidade para garantir a origem do material.
Segundo ele, a empresa dos suspeitos possuía CNPJ ativo, mas não estava regularizada. Lampe descreveu que as condições no local eram totalmente insalubres. "Eles processavam o material em liquidificadores comuns e guardavam os ossos em geladeiras junto com alimentos."
Os dois, segundo a polícia, operavam a captação em Londrina e comercializavam os ossos processados em diversos estados. A delegada ressaltou que será preciso aguardar o laudo do Laboratório Central do Estado (Lacen) para verificar se os ossos são humanos ou de outros animais. Segundo a delegada, um dos receptores do material, que é de Londrina, auxiliou nas investigações e por este motivo não foi detido.
De acordo com a polícia, eles tentaram abrir um banco de ossos em parceria com a Santa Casa de Londrina em 2004, mas o processo não foi adiante e eles resolveram agir clandestinamente. A delegada informou que eles participavam de congressos de ortopedia e odontologia em São Paulo, onde ofereciam o material. Em nota enviada à imprensa, a diretoria da Santa Casa refutou qualquer participação e afirmou que nunca autorizou qualquer pessoa a usar o nome ou imagem para o fim de armazenar ou comercializar tecidos ósseos.
Ainda de acordo com a nota, em 2004 o hospital e a empresa Banco de Ossos S/S Ltda assinaram protocolo de intenções objetivando o credenciamento de serviços de banco de ossos. O projeto, porém, foi encerrado em 2006, mas, durante este período de tramitação nunca houve o funcionamento efetivo ou comercialização de ossos.
O advogado dos irmãos Cavalca, Omar José Baddauy, afirmou que foi constituído na terça-feira e que não pode adiantar detalhes porque o processo corre em segredo de justiça. "O que posso dizer é que vamos batalhar pela soltura dos dois. Não é o caso de prisão preventiva, pois eles não oferecem risco respondendo ao processo em liberdade."


