Polícia investiga o desvio de produtos
Caminhão com produtos destinados a Assunção é apreendido em Medianeira, quando viajava para Minas Gerais; dono de empresa é indiciado
Emerson Dias - Enviado a Medianeira
Valmir Denardin - De Foz do Iguaçu
A Polícia Civil de Medianeira (65 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) está investigando a possível existência de uma quadrilha especializada em vender no Brasil mercadorias destinadas à exportação. Devido à isenção de impostos que beneficia produtos exportados, o lucro com o crime pode superar 50%.
A suspeita surgiu com a apreensão, no início desta semana, de um caminhão carregado com 1,5 mil caixas com 24 latas de 500 gramas cada uma do achocolatado Nescau e do concentrado de flocos de cereais Neston, que estava viajando de Foz do Iguaçu para Minas Gerais. Segundo a multinacional Nestlé, fabricante dos dois produtos, eles deveriam ter sido levados a Assunção, capital do Paraguai.
A carga, avaliada em R$ 97,4 mil, pertence à distribuidora RA Alimentos, de Foz do Iguaçu. Acompanhado de um advogado, o dono da empresa, Roberto Agostinho Peres, depôs ontem e negou participação na suposta quadrilha. Ele disse que comprou a mercadoria no dia 25 de janeiro de um homem que se identificou apenas como Gilberto, que teria se apresentado como representante da Comercial de Alimentos Alegre Ltda, também de Foz.
Para comprovar a transação, Peres apresentou duas notas fiscais dessa empresa. O dono da Alegre, Rabih Jamil Tarabein, disse à polícia que essas notas integravam um talão roubado da empresa em junho do ano passado. Na época, Tarabein não registrou queixa desse suposto roubo. Peres foi indiciado por sonegação fiscal e descaminho e vai responder aos dois processos em liberdade. A Receita Estadual multou a empresa dele em R$ 54 mil por esses dois crimes.
O delegado Valter Niniz Paes disse acreditar que outras empresas possam estar envolvidas com o suposto golpe. As três empresas de Contagem (Região Metropolitana de Belo Horizonte) para quem Peres afirmou ter vendido a mercadoria negaram a transação e qualquer relação com o empresário.
A carga e o caminhão o Scania branco placas AFB 9332, de Cascavel permaneciam apreendidos ontem. O dono do veículo, Gelson Zeni, que nega participação no suposto crime, tentava liberá-lo.





