A Polícia Civil abriu inquérito na última sexta-feira (30) para apurar as causas do soterramento em uma obra de tubulação para irrigação em uma propriedade rural no distrito São José, em Marilândia do Sul (83 km de Londrina), que deixou quatro operários mortos e um ferido. Conforme o delegado Felipe Ribeiro Rodrigues, de Marilândia do Sul, a Polícia Civil foi acionada por volta das 19h da última sexta. "Um investigador nosso, junto com uma equipe, foi até a propriedade e solicitaram a perícia do local. O Instituto de Criminalística levantou toda a situação e constatamos que a informação que nos foi passada procedia. Foi uma situação trágica e lamentável. O inquérito foi instaurado no mesmo dia", apresentou o delegado.

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. | Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

Nos próximos dias, Rodrigues esclareceu que serão ouvidos pela polícia o proprietário e responsável pela obra, o sobrevivente e demais envolvidos na obra. "Vamos ouvir todas essas pessoas e aguardar os resultados das perícias", acrescentou. Além disso, o Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná) também deverá ser acionado, segundo o delegado, para que possam informar quais são os procedimentos padrões que deveriam ter sido utilizados na obra. "Isso será feito para medir até que ponto houve negligência, imprudência ou imperícia por parte do proprietário e dos eventuais engenheiros e arquitetos responsáveis pelo local", esclareceu.

Rodrigues explicou que caso se configure a culpa penal, a pena pode ser de um a três anos de detenção. "Não há nenhum indício mínimo de que há um homicídio, mas a pena pode ser maior em até um terço se comprovado de que responsável pela ação do resultado danoso não agiu para diminuir os danos causados aos operários e se ele também observou alguma regra técnica de ofício ou profissão", avaliou. Inclusive, o delegado afirmou que o proprietário do local entrou em contato com a polícia imediatamente para colaborar com as investigações. "A investigação está sendo conduzida de forma pouco mais serena porque o responsável se colocou à disposição da polícia", pontuou.

Sobre as condições nas quais os operários trabalhavam, se estavam utilizando ou não os equipamentos de proteção individual e sobre como eram as circunstâncias da obra, Ribeiro adiantou que a polícia ainda não colheu as informações. O delegado ressaltou que caso seja comprovada a falta dos equipamentos de proteção durante as investigações, isso será determinante para a configuração da negligência que, segundo ele, é um pré-requisito para tipificação do crime como homicídio culposo.

O caso

O acidente foi registrado na tarde da última sexta-feira (30). Cinco operários ficaram soterrados e quatro deles morreram. Por volta das 17h, o Corpo de Bombeiros de Apucarana foi acionado para atender a ocorrência. De acordo com as equipes, os operários ficaram soterrados em uma profundidade entre três e quatro metros. Segundo os socorristas, apenas um trabalhador estava com uma parte da cabeça livre. Ele estava respirando por meio de mangueiras de oxigênio até ser resgatado pelos bombeiros por volta das 18h55.

Ederson Teles Proença, 36, foi encaminhado ao HU (Hospital Universitário) de Londrina e recebeu alta na tarde de sábado (31). Os quatro operários foram retirados durante a noite de sexta. Eles foram identificados como: Igor Daniel da Silva, de 17 anos, Jonas Benedito Lopes, de 31, Josimar Pereira de Souza, 23, e Valdeir Barbosa, de 38. Equipes do Samu, Siate, Operações Aéreas do Samu e IML (Instituto Médico-Legal) estiveram no local.

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