Incoerência nos depoimentos, falta de estrutura policial e o clima tenso criado pelas notícias de abandonos e assassinatos de bebês por todo o País. Estas são algumas das dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil de Roncador (100 km ao Sul de Campo Mourão) na investigação sobre a morte de um bebê de três meses. A menina foi encontrada morta pelos próprios pais no dia 14 de janeiro, mas até o momento, a Polícia conta somente com indícios para identificar os responsáveis por uma morte que chocou a comunidade.
A criança era filha do agricultor Sebastião Domingues de Godoys, que mora com a mãe da criança e uma filha de 14 anos em um sítio na Zona Rural de Roncador, na divisa com Iretama. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Juarez Dias, a Polícia tem somente a versão da família para tentar descobrir como a menina morreu.
''Sebastião nos contou que dormia na sala da casa com a esposa quando foi acordado por um barulho de porta batendo. Ao se levantar para verificar o que aconteceu, ele percebeu que a menina, que dormia com a mãe em um colchão no chão da sala, havia desaparecido'', relatou o delegado. ''A primeira pessoa a quem ele recorreu foi um vizinho. No dia seguinte, ele procurou a Polícia de Iretama'', continuou.
Orientado a pedir a ajuda da Polícia Civil, Sebastião voltou a Roncador, onde prestou depoimento. ''Nós o acompanhamos de volta para casa, onde iniciamos uma busca. Não encontramos nada. Uma hora depois que fomos embora, ele nos ligou, dizendo que havia encontrado o bebê, já morto, dentro do poço do sítio'', afirmou Dias.
De acordo com o delegado, Sebastião afirma que retirou o bebê do poço usando um laço. ''Na visita que havíamos acabado de fazer, tiramos fotos do poço e elas não mostraram nada. O corpo também não apresentava sinais de enrugamento, típico da permanência na água, ou do laço, que Sebastião disse ter usado'', detalhou Dias. O laudo elaborado pelo Instituto Médico Legal de Campo Mourão apontou morte por afogamento.
Sebastião e a esposa chegaram a ser apontados pela comunidade como os responsáveis pela morte da filha. ''Recebemos muitas informações dando conta de que ele não acreditava que a menina fosse dele'', contou o escrivão da delegacia de Roncador, Eliseu Mendes.
O pai compareceu à delegacia acompanhado por um advogado de Altamira do Paraná (131 Km ao Sul de Campo Mourão). O defensor foi designado pelo irmão de Sebastião, o vereador João Borges. ''Não acredito que meu irmão tenha feito nada com a filha. Vi o desespero dele quando fui até lá'', disse o vereador. Sebastião não foi encontrado pela reportagem. ''No sítio não tem telefone nem luz. Eles até se mudaram recentemente, porque meu irmão nem conseguia mais pegar água no poço'', completou João Borges.

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