Polícia investiga morte de assentado
A polícia de Camaçari (BA) abriu ontem inquérito para apurar a morte do militante do Movimento de Luta pela Terra (MLT) Cosme Muniz da Silva, 21. Silva foi assassinado com um tiro de revólver na cabeça, enquanto dormia em um assentamento de Arembepe, região metropolitana de Salvador, anteontem. Segundo a polícia, testemunhas do crime disseram que três homens invadiram o barraco onde vivia Silva e o atingiram com um tiro no ombro. Depois, ele teria sido obrigado a deitar-se no chão, sendo executado com um tiro na cabeça.
Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Edson Pimenta, o crime teria sido cometido em represália à convocação de uma assembléia-geral para discutir a expulsão de alguns dos trabalhadores assentados. Cosme queria a expulsão de dois trabalhadores acusados de praticar roubo na região, disse Pimenta. Até ontem à tarde, a polícia de Camaçari ainda não havia localizado os dois trabalhadores suspeitos de ter praticado o crime. A polícia disse que vai manter os nomes dos suspeitos em sigilo durante as investigações.
Mais duas invasões de terra foram registradas anteontem na Bahia. Na estrada que liga Eunápolis a Belmonte (sul do Estado), 80 famílias invadiram a fazenda Santa Maria. Com 1.617 hectares, a fazenda pertence ao empresário Edvaldo Vaz Cedro, e já foi declarada de interesse social para fins de reforma agrária por um decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em junho do ano passado.
Segundo o MLT, a invasão foi pacífica. A outra invasão, coordenada pelo Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) aconteceu em Ilhéus (Sul da BA). Cerca de 80 famílias invadiram a fazenda Bom Gosto, localizada no quilômetro 11 da rodovia Ilhéus/Itabuna. Ontem, o MLST encaminhou um documento ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) solicitando a desapropriação da área. Segundo informações da Fetag, quase mil famílias de trabalhadores rurais sem terra invadiram oito fazendas no interior da Bahia, nos últimos 40 dias.





