Curitiba - Além dos seis prontuários de pacientes que constam no inquérito policial encaminhado na segunda-feira pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) ao Ministério Público do Paraná (MPPR), o delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinícius Michelotto, confirmou ontem que outros 21 casos de suposta antecipação de morte na UTI Geral do Hospital Evangélico, em Curitiba, estão sob investigação.
"É bom frisar que existem mais 21 casos que estão sendo investigados e existem mais de mil prontuários sendo analisados por comissões de médicos formadas judicialmente. Se for detectada alguma divergência ou inverdade nestes prontuários, outros procedimentos poderão ser instaurados. É importante dizer que foi fechada a primeira fase da denúncia. Agora estes fatos novos estão sendo trabalhos pela polícia, para posteriormente serem alvo de novos inquéritos policiais", detalhou o delegado na tarde de ontem, durante a entrega de novas viaturas para a Polícia Militar, no Palácio Iguaçu, em Curitiba.
Michelotto também afirmou que mais uma médica foi indiciada ontem. Kríssia Kamile Singer Wallback estava de férias nos Estados Unidos e trabalhou com a médica Virgínia Helena de Souza Soares. Conforme ele, a médica se apresentou no Nucrisa e está colaborando com as investigações.
As duas e mais quatro pessoas (três médicos e uma enfermeira) foram indiciadas por homicídio qualificado (utilizando recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima) e formação de quadrilha, pelas mortes de seis pacientes. "As investigações continuarão, existe um caminho grande a ser prosseguido e outras pessoas poderão ser indiciadas. O procedimento encerrado agora se trata destas seis mortes", disse Michelotto.
O advogado de Kríssia, Jorge Rufino Ribas Timi, informou que ainda não tem conhecimento do indiciamento de sua cliente, e que assim que tiver acesso ao inquérito policial a médica deve prestar depoimento no Nucrisa. "Oficialmente não fomos notificados sobre o indiciamento. Minha paciente trabalhou como médica plantonista no Evangélico entre abril de 2012 e janeiro de 2013", ressaltou.
O delegado-geral informou que todos os detalhes do caso serão divulgados numa coletiva de imprensa na próxima segunda-feira, quando o MPPR também deve se pronunciar. Ele ainda destacou que "é preciso que todos entendam que a Polícia Civil e o Ministério Público não estão contra a classe médica e dos enfermeiros". "Era um grupo que atuava dentro do hospital e temos provas contundentes dos casos. São depoimentos, degravações, análise de prontuários e confissões de funcionários que trabalharam na UTI Geral", alegou.

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