Curitiba - O comerciante libanês preso na última quinta-feira, em Curitiba, acusado de aplicar golpes em empresas de vestuário, também está sendo investigado pela Polícia Civil por manter uma suposta ligação com o grupo islâmico Hezbollah, que atua, principalmente no Irã, Síria e Líbano. Os Estados Unidos acusam o grupo de apoiar atos terroristas contra aliados de Israel.
As investigações sobre a suposta ligação eram mantidas em segredo quando o libanês foi preso pelos policiais do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce). Conforme o delegado titular do Nurce, Cassiano Aufiero, as suspeitas em relação ao suspeito surgiram após veículos da imprensa norte-americana (entre eles o "New York Times") entrarem em contato com o Nurce da capital para obter mais informações sobre a prisão de Hamze Ahmad Barakat, de 50 anos.
O delegado informou que, a partir disto, recebeu extensa documentação por parte da imprensa dos EUA, sobre as suspeitas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Ele destacou que não se tratam de documentos oficiais, mas que tudo está sendo analisado conjuntamente com o material apreendido durante a prisão do suspeito na semana passada.
"Ainda não há nada de concreto. Não existe qualquer confirmação das suspeitas levantadas pelos norte-americanos, são diversas informações que estão sendo apuradas. Interrogamos o suspeito novamente, e ele negou que tenha qualquer ligação com o Hezbollah. Além disso, alegou ter um nome comum no Líbano, podendo ter ocorrido confusão da imprensa norte-americana", disse Aufiero.
O relatório, que teria sido elaborado pelo governo dos EUA, indicaria que, entre 2004 e 2006, o suspeito teria enviado dinheiro para o Hezbollah, e que seria um líder do grupo na América do Sul, cooptando conterrâneos a também enviar recursos para a organização. A atuação do empresário teria ocorrido na região da Tríplice Fronteira, em Foz do Iguaçu.
De acordo com o Nurce, a única suspeita confirmada até o momento é a ligação de Hamze com os golpes contra empresas de vestuário. Ele, que mantinha lojas em Curitiba, comprava as mercadorias nas fábricas e não pagava os fornecedores. Ao todo, 20 empresários do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais teriam sido vítimas do libanês. O golpe era aplicado há um ano e causou mais de R$ 10 milhões em prejuízos às vítimas.
O suspeito está detido no 12º Distrito Policial (DP) e deve responder por receptação, falsidade ideológica, estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O delegado Cassiano Aufiero ainda reforçou que, se indícios concretos forem encontrados, como transferência de valores para o exterior, a Polícia Federal (PF) será acionada para acompanhar o caso.

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